SEXTA, 21/05/2021, 13:00

Assessores pagavam água, luz e até IPTU da família Boca Aberta, aponta denúncia do Ministério Público

Ação apresentada à Justiça escancara suposto esquema de rachadinha envolvendo os salários de mais de 40 assessores dos deputados Boca Aberta e Boca Aberta Junior e da vereadora Mara Boca Aberta. Acusados negam as acusações e se dizem perseguidos

O promotor Renato de Lima Castro, do Gepatria, que investiga situação de dano ao patrimônio público, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (21) para repassar detalhes sobre as duas ações apresentadas pela promotoria à Justiça contra a família Boca Aberta. Numa delas, o deputado estadual Boca Aberta Junior e uma assessora dele são acusados de desviar mais de 200 mil reais de materiais esportivos que deveriam ser entregues para cinco escolas estaduais de Londrina no ano passado. No outro processo, Boca Junior, o pai dele, deputado federal Boca Aberta, e a mãe, vereadora Mara Boca Aberta, são acusados de comandar um suposto esquema de rachadinha envolvendo os salários de 43 assessores. Segundo as investigações, eles eram obrigados a usar parte dos vencimentos para custear despesas pessoais dos parlamentares. A família Boca Aberta teria tido contas de água e luz, e até o IPTU pagos pelos subordinados. O comprovante do pagamento do imposto foi mostrado pelo promotor durante a entrevista.

O desvio, segundo a denúncia, chega a 80 mil reais. Ainda segundo Castro, a vereadora Mara Boca Aberta obrigava os assessores a darem uma cota mensal de 100 reais para que a família comprasse cestas básicas que, posteriormente, seriam distribuídas à população.

Em relação à ação dos materiais esportivos, de acordo com o promotor, Boca Junior e a assessora teriam ludibriado os funcionários do Programa Paraná Esportes para fazer o transporte dos kits, o que seria proibido, e, posteriormente, os diretores das escolas, para o desvio dos itens, que, segundo a denúncia, eram entregues para apoiadores. Parte do material, inclusive, já foi devolvido por eles após o caso vir à tona.

Nas ações, a promotoria pede para que Boca Aberta, Boca Aberta Junior e Mara Boca Aberta respondam por improbidade administrativa e tenham mais de 1 milhão de reais em bens bloqueados para o ressarcimento dos cofres públicos. Num comunicado enviado à imprensa antes da coletiva, o deputado federal negou as acusações e disse que está sendo perseguido pelo promotor, para o qual dirigiu ofensas pessoais.

Por Marco Feltrin

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