SEGUNDA, 17/05/2021, 18:39

Paraná em estado de alerta contra a ferrugem asiática

Prazo para colheita ou desseca da soja terminou no último sábado e aumento dos casos da doença, que causa quase R$ 3 bilhões de prejuízos por ano ao país, preocupam especialistas da área.

Um problema que vem crescendo ano a ano e que preocupa os especialistas da área, por conta da grande capacidade que a ferrugem asiática tem de causar prejuízos às lavouras de soja. Por isso, o controle da doença começa com a eliminação das plantas que possam servir de hospedeiras para o fungo, a chamada soja guaxa. O vazio sanitário propriamente dito, quando fica proibido semear ou manter plantas vivas do grão no campo, começa no próximo dia 10 de junho e vai até 10 de setembro.

Mas, o prazo para quem ainda não tinha colhido ou dessecado a soja terminou no último sábado. Apesar de restarem pouquíssimas lavouras na região, a retirada das plantas é fundamental para não permitir o avanço da doença e os surtos registrados no estado ultimamente, explica a especialista do Departamento Técnico e Econômico da FAEP, Ana Paula Kowalski. Ela conta que outro problema é a diminuição da eficiência dos fungicidas ao longo dos anos.

Na safra 2020/21 o Paraná ficou atrás apenas do Rio Grande do Sul, que teve 138 registros da ferrugem asiática. O estado confirmou 100 ocorrências da doença, contra 78 casos na safra 2019/2020. Outro dado que chama a atenção é o número de confirmações de esporos do fungo da ferrugem, que subiu de 169 para 208 entre uma safra e outra. Mais um indicativo de que o problema está aumentando e merece atenção dos produtores do grão de todo o estado, alerta a especialista da FAEP.

A técnica da FAEP explica que o clima úmido e ameno é propício ao fungo e que mesmo com a criação do vazio sanitário já há alguns anos, a ferrugem asiática tem resistido no Paraná e causado, além do aumento dos custos, perdas significativas em diversas lavouras do estado.

No Brasil, de acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, a doença tem um custo médio, por safra, de US$ 2,8 bilhões, incluídos os métodos de controle e os prejuízos com perdas.

A técnica da FAEP acrescenta que os produtores rurais que não seguirem as orientações do vazio sanitário da soja ficam sujeitos à aplicação de multas e, em casos mais graves, à interdição da propriedade.

Por Marcos Garrido

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