QUINTA, 07/01/2021, 19:26

Pesquisa da Fecomércio revela que paranaenses se endividaram menos em 2020

Diante de instabilidades econômicas causadas pela pandemia, consumidores pensaram duas vezes antes de comprar.

O número de famílias paranaenses com dívidas teve redução no último ano. Os dados obtidos pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) mostram que, no estado, a média caiu mais de um ponto percentual, em comparação ao ano anterior.

O índice, que em 2019 registrou 90,4%, caiu para 89,6% em 2020. Uma redução que, para Rodrigo Rosalém, diretor de Finanças e Desenvolvimento Organizacional do Senac PR, é reflexo do impacto econômico causado pela pandemia no bolso do paranaense. Ele explica que, com incertezas a respeito das finanças familiares, os consumidores foram cautelosos nas compras e deixaram de fazer dívidas.

Rosalém explica que nem todas as dívidas são ruins. Financiamentos, aquisição de bens duráveis e investimentos na área profissional podem ser considerados endividamentos saudáveis. Isto é, são dívidas que quando planejadas, não comprometem a renda essencial da família. Mas ele alerta que a dívida pode se tornar um problema, quando já não é possível cobrir a despesa.

O relatório, no entanto, aponta que o paranaense está em busca de quitar as dívidas atrasadas. Dezembro foi o quinto mês consecutivo em que o levantamento registrou queda, chegando a 25,7%. O diretor destaca o 13º salário como um auxílio a mais para o pagamento dos débitos em atraso.

Apesar da redução do número de famílias com as contas atrasadas, o levantamento mostra que a taxa de paranaenses que não tiveram condições de pagar as dívidas em atraso cresceu em 2020, passando de 10,5%, no ano anterior, para 12,4%. A pesquisa ainda revela a tendência de melhora do índice.

Rosalém afirma que a perspectiva para 2021 é de recuperação da economia do estado, com retomada das atividades relacionadas ao consumo e o endividamento planejado, assim como a continuidade dos indicadores de endividamento e inadimplência em níveis atuais.

Mesmo com a queda no índice, o levantamento da Fecomércio apresentou um leve aumento no endividamento nas famílias com renda acima de 10 salários mínimos, passando de 94,4%, para 94,5%. Por outro lado, a maior redução foi registrada entre os paranaenses com renda inferior.

O principal tipo de dívida dos consumidores continua sendo o cartão de crédito, com 72,9% do total. O financiamento de veículos e o imobiliário também cresceram ligeiramente, em comparação ao ano anterior.

Por Victor Assis

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