SEGUNDA, 13/07/2020, 18:33

Sindarspen quer testagem de Coronavírus em massa no sistema penitenciário do Paraná

O pedido veio após a confirmação de 20 presos positivados com a doença na Cadeia Pública de Toledo.

O Sindicato dos Policiais Penais do Paraná - SINDARSPEN quer que o Departamento Penitenciário - Depen e a Secretaria de Segurança Pública do Paraná – Sesp providenciem a testagem do Coronavírus em massa nas cadeias públicas e em todo o sistema prisional.

O pedido aconteceu após a confirmação de 20 presos e em um servidor da Cadeia Pública de Toledo terem testaram positivo para a Covid-19. 

A testagem na cadeia só foi possível depois de 200 testes terem sido doados para a realização dos exames.

De acordo com o presidente do Sindarspen, Ricardo Carvalho Miranda, essa não é a primeira vez que a categoria cobra a testagem, o mesmo pedido já havia sido feito outras duas vezes, em abril e maio. A categoria, por conta, tem feito um mapeamento do sistema.

Outra cobrança é quanto à transparência no monitoramento da doença nas unidades penais do Paraná. A entidade pede que, os números sejam divulgados aos moldes de outros estados e seguindo diretrizes do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, que sejam divulgados casos suspeitos, casos confirmados, casos descartados e doentes recuperados no sistema penitenciário.

Há relato de que na Penitenciária Estadual I em Paranaguá não há nem termômetros para controlar servidores que entram e saem da unidade.

As solicitações do Sindicato foram encaminhadas ainda ao Ministério Público e à Defensoria Pública do Estado.

Em nota a Secretaria Estadual de Segurança Pública afirma que:

“Segue os protocolos de testagem estipulados pela Secretaria Estadual da Saúde. O Depen ainda informa que testes rápidos para Covid-19 foram distribuídos em todas as regionais do Depen. Entre presos e servidores do sistema prisional do Paraná, já foram feitos mais de 2 mil testes, entre rápidos e moleculares.

Para maior proteção de servidores e presos do Departamento Penitenciário do Paraná, uma série de medidas tem sido tomadas dentro das unidades prisionais, entre elas: restrição de visitas, limpeza contínua de ambientes, higienização de viaturas e veículos de remoção. Os detentos também trabalham na produção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e aventais, além de álcool em gel e produtos de limpeza.

Além disso, desinfecção de ambientes compartilhados (como corredores, refeitórios, pátios e canteiros de trabalho dos detentos) está ocorrendo com maior periodicidade. A limpeza é feita diariamente com aspersão de água sanitária.

Os agentes também que têm contato direto com detentos com suspeita ou confirmação da doença contam ainda com equipamentos como óculos, capa e face shield.

Todo preso que entra no sistema prisional ou que é movimentado de unidade, passa por avaliação de saúde, que inclui medição de temperatura e resposta a um questionário de doenças pré-existentes e demais comorbidades. Em seguida, o detento vai para o banho e troca de roupa, com lavagem dos tecidos em separado, e segue para cela de isolamento por 14 dias. Se não apresentar sintomas, o preso permanece na unidade. Caso algum sintoma apareça, ele é transferido imediatamente para unidades de isolamento.

A entrega de sacolas de alimentação também foi suspensa, com o objetivo de evitar a aglomeração de pessoas em frente aos estabelecimentos penais. Apenas a entrega via SEDEX foi mantida. Para isso, os materiais enviados passam por uma desinfecção e ficam armazenados durante sete dias, antes de serem distribuídos, para evitar contaminação.

O Depen ainda ressalta que, apesar de ter a quinta maior população carcerária do país, é um dos estados com menor número de casos confirmados. Em todo o Paraná, até o último sábado (11/07), 277 presos testaram positivo para a doença, sendo que 142 já estão recuperados. Entre os servidores, foram 60 confirmações e, destes, 19 estão recuperados.”                 

Por Bruno Carraro

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