SEXTA, 03/04/2026, 09:34

Com diesel em alta, produtores do Norte do Paraná correm para garantir estoque para safra de inverno

Escalada de tensões no Oriente Médio eleva custos e aumenta risco de desabastecimento

A instabilidade no Oriente Médio já provoca reflexos diretos no agronegócio brasileiro. No Norte do Paraná, produtores rurais têm antecipado a compra de diesel como forma de se proteger da alta nos preços e de um possível desabastecimento, cenário que começa a preocupar o setor em plena preparação para a safra de inverno.

O combustível é um dos principais insumos da produção agrícola, responsável por movimentar tratores, colheitadeiras e caminhões. Diante das incertezas no mercado internacional, a estratégia adotada por parte dos produtores é garantir o abastecimento com antecedência, mesmo sem saber ao certo como o cenário irá evoluir, é o que afirma o engenheiro agrônomo e diretor técnico na APEPA (Associação das Empresas de Planejamento Agropecuário do Paraná), Lucas Schauff.

Para Schauff, a preocupação vai além do custo. O risco de interrupção no fornecimento global também entra no radar, especialmente por conta da importância estratégica do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer impacto na região tende a afetar diretamente o abastecimento e os preços.

O impacto, porém, não se limita ao combustível. O conflito também afeta a dinâmica de exportações e insumos agrícolas. Países envolvidos, como o Irã, têm papel relevante na compra de milho brasileiro e no fornecimento de fertilizantes. Isso cria um efeito duplo: possível queda na demanda pelo produto e aumento no custo de produção.

Apesar de medidas do Governo Federal, como a tentativa de reduzir impostos sobre o diesel, o setor avalia que os efeitos ainda não chegaram de forma significativa ao produtor. Na prática, a percepção é de que os custos continuarão pressionados no curto prazo.

Por Paulo Andrade

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