Superlotada, Santa Casa de Londrina suspende novos atendimentos
Hospital opera com 240% de sua capacidade máxima. Cenário caótico agrava ainda mais a situação da unidade, que passou por intervenção judicial e enfrenta séria crise financeira
A Santa Casa de Londrina suspendeu, durante a tarde desta quinta-feira (13), o recebimento de novos pacientes por parte dos serviços de urgência e emergência do município. O hospital está superlotado e opera no limite. Por isso, a direção achou por bem informar a Central de Leitos sobre a impossibilidade de acolher novas internações.
De acordo com familiares de pacientes internados no hospital, os corredores do pronto-socorro estão abarrotados. Há pessoas internadas em macas e até poltronas, aguardando a liberação de leitos. Em nota, a direção da Santa Casa confirmou a superlotação e o pedido para que novos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) não dessem entrada no hospital até segunda ordem. A princípio, os casos de urgência e emergência estão sendo remanejados para os hospitais Evangélico e Universitário (HU), unidades terciárias que compõem a rede de alta complexidade do município. Já os casos menos graves estão sendo absorvidos pelas unidades de pronto atendimento e pelos hospitais da Zona Norte da Zona Sul, de média complexidade.
Até o início da tarde de quinta-feira, a Santa Casa registrava 55 pacientes em atendimento num espaço que conta com apenas 16 leitos. Ou seja, a unidade operava com 240% de sua capacidade máxima. A CBN tentou atualizar os números com a assessoria na manhã dessa sexta-feira (14), mas ainda não obteve retorno.
O cenário caótico agrava ainda mais a situação da instituição, que passou por uma intervenção judicial no mês passado após inquérito do Ministério Público (MP) apontar para uma série de irregularidades nas gestões financeira, sanitária e assistencial da unidade. A intervenção foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) após nove dias e, desde então, a diretoria, reconduzida aos cargos pela decisão, trabalha para continuar atendendo a população. As dívidas acumuladas pelo hospital, que girariam em torno dos R$ 500 milhões, também preocupam. O caso é acompanhado de perto por prefeitura, Secretaria Estadual de Saúde e Amepar, Associação dos Municípios do Médio Paranapanema, que pede por uma auditoria independente nas contas da instituição.