SEGUNDA, 03/05/2021, 19:25

Covid-19 pode causar sequelas neurológicas em pacientes moderados ou graves

Pessoas contaminadas pelo coronavírus relatam dificuldades de concentração e memória, mas exercícios simples podem ajudar a reduzir efeitos no cérebro.

Após um ano de pandemia, médicos e cientistas já identificaram que a doença não afeta apenas o sistema respiratório. De acordo com estudos e também a partir da observação de pacientes que se recuperam da Covid-19, os profissionais da saúde consideram que a infecção pelo coronavírus também ataca órgãos vitais, com como os rins, coração e sistema nervoso.

As sequelas mais comuns, quando a doença afeta o cérebro do paciente, estão relacionadas à dificuldade de concentração e até mesmo perda de memória. Mariele Esteves, especialista em Ginástica para o Cérebro, explica que os relatos dos pacientes indicam que o vírus age em regiões importantes do sistema nervoso central, responsável por receber e transmitir informações para todo o corpo. Os efeitos da contaminação podem prejudicar até mesmo tarefas simples do cotidiano.

Apesar das consequências, ela explica que atividades simples contribuem para atenuar os efeitos da Covid para o cérebro. Esse treino busca exercitar a capacidade do sistema nervoso em se adaptar a diferentes demandas apresentadas, chamada de neuroplasticidade.

São atividades que propõem pequenas mudanças na rotina da pessoa, ajudam a desenvolver a percepção e o funcionamento cerebral. Para isso, alguns parâmetros são levados em conta, como novidade, variedade e graus de dificuldades das tarefas a serem cumpridas.

Segundo a especialista, os exercícios são indicados a pessoas de qualquer faixa etária, e até mesmo para quem não foi positivado pela Covid-19, já que o isolamento social prolongado e as consequências da pandemia em outras áreas, como a econômica e a social, também podem afetar as atividades neurológicas.

Ela explica que nosso corpo possui uma reserva cognitiva que é responsável por suprir algum déficit do funcionamento cerebral, quando necessário. Esse estoque é criado a partir de experiências e aprendizados desenvolvidos ao longo da vida.

Marielle Esteves diz que o fato de alguns pacientes não terem apresentado sequelas neurológicas da doença, pode estar relacionado com a quantidade de estímulos e atividades cerebrais realizadas, que fortalecem a estrutura menta do indivíduo.

A especialista em ginástica para o cérebro ainda dá outras dicas, como alternar o braço dominante em tarefas comuns. Neste caso, quem é destro pode pentear o cabelo com a mão esquerda e canhotos podem escovar os dentes com a mão direita.

Os exercícios são benéficos tanto para alunos do ensino médio, que buscam melhores rendimentos nos estudos, como também para adultos que estão se preparando para processos seletivos e, ainda, idosos que querem amenizar desgastes cognitivos, específicos do avanço da idade.

Por Victor Assis

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