TERCA, 06/10/2026, 09:59

Cambé inicia nova etapa contra a dengue com liberação de mosquitos com Wolbachia

Tecnologia será aplicada em 885 pontos de soltura e expectativa de proteção para mais de 34 mil pessoas

Cambé entra em uma nova etapa de enfrentamento à dengue com a liberação dos chamados "wolbitos”, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. A soltura está prevista para começar no dia 22 de outubro e será realizada durante 26 semanas em 21 localidades consideradas prioritárias para o controle da doença.

De acordo a coordenadora de Vigilância Ambiental, Kécia Costa, a região escolhida concentra áreas onde historicamente começam os períodos de maior circulação da dengue e também é conurbada com Londrina, que já utiliza a tecnologia. Ao todo, serão 885 pontos de soltura, com expectativa de alcançar mais de 34 mil pessoas.

A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em diversos insetos. Quando está presente no Aedes aegypti, ela dificulta a instalação e a multiplicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya no mosquito. Os wolbitos são criados em laboratório, mas não são geneticamente modificados. Depois da soltura, eles se reproduzem com os mosquitos que já existem na cidade e ajudam a aumentar gradualmente a presença da bactéria na população.

Antes da soltura, a Prefeitura realizou ações de orientação e engajamento da população. Durante as 26 semanas, agentes capacitados farão as liberações de forma controlada, enquanto as ovitrampas serão utilizadas para acompanhar o estabelecimento da Wolbachia no ambiente.

A estratégia chega em um momento considerado oportuno pela Vigilância Ambiental. Cambé registra, até agora, apenas 129 casos confirmados de dengue, número bem abaixo de anos anteriores. No entanto, a combinação de chuva e calor aumenta a preocupação para os próximos meses.

Mesmo com a nova tecnologia, a orientação é para que os moradores continuem eliminando água parada e possíveis criadouros do Aedes aegypti. A Wolbachia funciona como mais uma ferramenta de controle, e não substitui os cuidados tradicionais.

Por Paulo Andrade

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