QUINTA, 08/11/2018, 19:58

Justiça decide que Guardas Municipais acusados da morte de jovem na zona norte vão a júri popular

Matheus Evangelista, de 18 anos, foi morto em março desse ano no meio da rua durante atendimento a uma ocorrência de perturbação do sossego.

A Justiça determinou que os Guardas Municipais Fernando Ferreira das Neves e Michael de Souza Garcia, envolvidos na morte do jovem Matheus Evangelista, de 18 anos, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. Na decisão, a juíza Claudia Betolla Alves cita os disparos de pistola calibre 380 feitos, no dia 11 de março desse ano, em direção ao grupo de aproximadamente quarenta pessoas que estava na Rua Aristides Vaz, zona norte da cidade. A magistrada afirma ainda que os Guardas Municipais assumiram o risco de matar ao fazerem disparos em via pública durante a ação, que tinha como objetivo apenas apurar uma denúncia de perturbação de sossego.

De acordo com a decisão, o GM Neves vai ser julgado pelos crimes de homicídio qualificado, fraude processual e falsidade ideológica. Já o GM Michael Garcia vai responder por disparo de arma de fogo, por ter dado um tiro para o alto durante a ocorrência e por fraude processual, já que auxiliou no transporte do jovem ferido até o hospital. A decisão da juíza foi publicada na tarde desta quinta-feira. Os dois guardas foram presos temporariamente após o crime e depois tiveram a prisão convertida para preventiva.

Na denuncia, o Ministério Público afirma que a vítima foi retirada do local da ocorrência e conduzida ao hospital no veículo da Guarda com o objetivo de prejudicar a apuração do crime. Os agentes afirmaram que já encontraram o jovem ferido quando chegaram na ocorrência, mas a reconstituição do crime feita pela Polícia Civil provou que o disparo foi feito durante a abordagem aos jovens. O GM Garcia também afirmou durante as investigações que foi procurado pelo Guarda Neves para que a arma fosse adulterada.

Com base nesse depoimento e nos de outras testemunhas, o Ministério Público afirmou não ter dúvidas de que o autor do homicídio foi o GM Neves, que ainda tentou ocultar a verdade ao preencher o boletim de ocorrência na Polícia Civil. A juíza decidiu ainda manter os dois presos preventivamente até o julgamento, em função do total das penas a que podem ser condenados. Não conseguimos contato com os advogados dos dois Guardas Municipais.

Por Marcos Garrido

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