Observatório garante que déficit de R$ 205 milhões em Londrina era previsível
Entidade aponta falta de planejamento da Prefeitura e cobra explicações sobre riscos conhecidos antes da elaboração do orçamento
A preocupação com o futuro das contas públicas de Londrina vai além do déficit de R$ 205 milhões anunciado pela Prefeitura, é o que afirma o Observatório de Gestão Pública. De acordo com o manifesto encaminhado à imprensa, a entidade afirma que o problema está também na forma como a administração municipal lidou com despesas e perdas de arrecadação que já estavam no limite, e ainda questiona por que os riscos não foram enfrentados antes e alerta que decisões tomadas às pressas podem comprometer serviços importantes para a população.
O presidente do Observatório, Roger Trigueiros, afirmou que a entidade acompanha a gestão municipal desde 2009 e já havia apontado falhas de planejamento em diferentes áreas. Na avaliação dele, a situação financeira atual não deveria ter surpreendido a administração.
Entre os pontos que preocupam o Observatório estão o custo do transporte coletivo e a queda prevista na arrecadação com o IPVA. Segundo a entidade, a redução da alíquota estadual já permitia estimar uma perda de aproximadamente R$ 90 milhões para os cofres municipais. No transporte público, a necessidade de subsídios também era conhecida durante a elaboração do orçamento.
Para Trigueiros, a discussão não deve se limitar à redução de despesas. O sistema precisa ser analisado para entender quantas pessoas utilizam cada linha, em quais horários os ônibus circulam lotados e quando rodam praticamente vazios. A proposta é adequar os veículos à demanda, com possibilidade de usar micro-ônibus ou vans em trajetos de menor movimento.
O presidente ressalta que mudanças no transporte precisam ser discutidas com a população e com as empresas responsáveis pela operação. Ele também defende maior controle sobre os custos e o número de passageiros, para que o município tenha informações próprias ao fiscalizar o serviço e calcular os repasses públicos.
O Observatório avalia que o enfrentamento do déficit exige explicações sobre as decisões tomadas antes de a crise financeira vir a público. Para a entidade, o desafio é corrigir os problemas sem adotar medidas precipitadas que prejudiquem a qualidade dos serviços oferecidos aos moradores.