Partidos precisam somar pelo menos 2,5% dos votos válidos a deputado federal para ter acesso ao fundo eleitoral
Percentual da chamada “cláusula da barreira” é maior no pleito deste ano. Especialista diz que regras são importantes para evitar que recursos públicos sejam usados de forma indevida pelas legendas
Partidos políticos considerados “nanicos”, com pouca ou nenhuma representatividade no Congresso Nacional, terão ainda mais dificuldades para garantir acesso aos recursos do fundo eleitoral. De acordo com a chamada “cláusula da barreira”, implantada nas eleições de 2018, a legenda que quiser ser beneficiada com a verba pública terá que somar pelo menos 2,5% dos votos válidos a deputado federal no pleito de outubro. O percentual precisar estar distribuído em, no mínimo nove unidades da federação, com a menos 1,5% em cada uma delas. Nas eleições de 2022, esse percentual era de 2%. O advogado Nilso Paulo, especialista em direito eleitoral, disse que a adoção da cláusula tem ajudado a controlar a criação descontrolada de legendas políticas no Brasil e o uso indevido dos recursos do fundo. Ele lembrou que o país chegou a ter 35 partidos há alguns anos, e que, após a implantação da cláusula, esse número já caiu para 29.
Atualmente, o fundo eleitoral destina cerca de R$ 5 bilhões aos partidos políticos para a realização da campanha. Para ter acesso aos recursos, partidos menores têm aceitado fusões com outras legendas ou até entre si com o objetivo de alcançar o mínimo de votos. Foi o que aconteceu, por exemplo, entre PSL e Democratas, que se tornar o União Brasil.
Nas eleições de 2030, esse percentual será ainda maior, de 3%. Até lá, conforme Paulo, vai ser preciso analisar o efeito desses mecanismos no processo eleitoral e, caso seja necessário, definir adequações para melhorá-lo ainda mais.