SEGUNDA, 05/10/2026, 08:35

Qualidade da água do Lago Igapó começa comprometida já na nascente, aponta monitoramento

Pesquisador alerta para lançamentos de esgoto no Ribeirão Cambé e defende fiscalização para evitar novos episódios de água verde e proliferação de alfaces-d’água

A qualidade da água do Lago Igapó já começa comprometida na nascente do Ribeirão Cambé, segundo o monitoramento realizado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) há quase dois anos. O trabalho acompanha diferentes pontos do curso d’água e os resultados mostram que a água chega com sinais de poluição e melhora ao longo do percurso, principalmente pela ação natural dos próprios lagos.

O professor e pesquisador Orlando Carvalho, responsável pelas análises, explica que o principal problema está na entrada de esgoto no sistema. Segundo ele, o lago consegue absorver parte da matéria orgânica, mas não elimina completamente os nutrientes presentes na água. Esse material vai se acumulando e pode favorecer episódios de eutrofização, principalmente durante períodos de estiagem.

Carvalho também explica que a presença de alfaces-d’água e a coloração esverdeada da água são consequências desse excesso de nutrientes e não a causa do problema. As plantas encontram condições favoráveis para se multiplicar principalmente onde há água mais parada e concentração de nutrientes.

Além da fiscalização, o professor defende ações de educação ambiental e o acompanhamento de possíveis lançamentos irregulares ao longo do Ribeirão Cambé. Em situações de grande proliferação das alfaces-d’água, a orientação é utilizar barreiras flutuantes para concentrar as plantas e permitir a retirada com embarcações.

De acordo com o professor, a tendência é de agravamento da qualidade da água caso as fontes de poluição não sejam interrompidas. Em períodos de pouca chuva, com água mais parada e temperaturas elevadas, os efeitos podem ficar mais visíveis, com água esverdeada e até risco de morte de peixes. Uma nova rodada de análises está prevista para o fim de novembro.

Por Paulo Andrade

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