SEMA endurece fiscalização contra esgoto e poluição nos lagos de Londrina
Excesso de "alfaces d’água" no Igapó revela descarte irregular de nutrientes; multas aplicadas pela Secretaria do Ambiente já superam R$ 7 milhões
A proliferação desenfreada de macrófitas conhecidas popularmente como alfaces d’água no Lago Igapó acendeu um alerta vermelho na Secretaria Municipal do Ambiente (SEMA). O fenômeno, concentrado principalmente no Lago 4, é apontado pelo secretário Gilmar Domingues como um indicador biológico direto de poluição por excesso de matéria orgânica, possivelmente proveniente de descartes irregulares de esgoto.
Segundo o secretário, embora essas plantas tenham papel benéfico na purificação da água em pequenas quantidades, o crescimento explosivo indica que o ecossistema está recebendo "alimento" em excesso.
A fiscalização agora mira especificamente no Córrego Cambézinho, que nasce em Cambé e atravessa Londrina. Empresas e postos de combustíveis estão no radar da SEMA. Em parceria com a Sanepar, a secretaria realiza vistorias para identificar imóveis e indústrias que, mesmo em áreas com 100% de rede coletora, não realizaram a conexão adequada, despejando efluentes domésticos e industriais diretamente nos mananciais.
O rigor na fiscalização tem resultado em punições pesadas contra o crime ambiental em Londrina. Recentemente, a SEMA aplicou multas milionárias em pontos estratégicos: o Lago Igapó lidera as autuações com R$ 4,8 milhões por lançamento de esgoto, seguido pelo Lago Norte, com R$ 2,2 milhões, e pelo Córrego Barreiro, com R$ 750 mil.
Além do esgoto, outro "gargalo" ambiental é o descarte de produtos de limpeza. O lançamento desses materiais provoca a formação de espumas brancas, visíveis entre o Aterro e o Lago 2.
A situação se agrava com o cenário climático de alta insolação e poucas chuvas. Na última semana, o Lago Cabrinha apresentou coloração esverdeada, sinal de baixa oxigenação. O aumento da fotossíntese de algas, estimulado pelo calor e pelos poluentes, consome o oxigênio dissolvido na água, o que pode levar à morte de peixes e ao colapso do corpo hídrico.
Diante do cenário, Gilmar Domingues solicitou à prefeitura a contratação de pelo menos mais sete fiscais para reforçar as equipes de campo.
As "alfaces d’água", são plantas flutuantes que absorvem nitrogênio e fósforo da água. Em equilíbrio, ajudam na limpeza do lago. Em excesso, formam um tapete que impede a passagem da luz e a troca de gases, prejudicando toda a vida aquática abaixo da superfície.