QUINTA, 17/12/2020, 19:35

Anuário do Sebrae revela que micro e pequenas empresas são responsáveis por mais da metade dos empregos do país

O relatório ainda informa uma maior participação feminina em posição de empregadores e redução na diferença salarial entre homens e mulheres.

O Sebrae lançou, na última terça-feira (14), o novo Anuário do Trabalho nos Pequenos Negócios. O documento é elaborado em parceria com Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e busca comparar a atividade de micro e pequenas empresas em relação a grandes companhias e organizações, como também pretende definir o perfil do trabalhador brasileiro.

O relatório apresenta dados referentes ao período entre os anos de 2009 e 2018 e mostra um aumento significativo de micro e pequenas empresas, que chegaram a concentrar 54% dos empregos do país. De acordo com Paulo Jorge de Paiva Fonseca, Analista da Unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae, mesmo com uma leve queda no índice de crescimento próximo ao fim do período, os pequenos negócios continuaram movimento parcela considerável da economia nacional. Para ele, o resultado é positivo e aponta para uma retomada na geração de empregos.

O relatório também revelou que as micro e pequenas empresas estão menos ativas no segmento do comércio, com uma redução de quase 10%. Por outro lado, o setor de Serviço registrou avanços em participação no mercado, passando de 34,1% para 41,7%. O segmento também foi o que mais empregou mulheres durante o período. De acordo analista, o anuário aponta para uma redução na desigualdade de gênero, com um maior número de mulheres empregadas com maiores remunerações. Ainda assim, a massa salarial dos homens continua consideravelmente maior.

Além disso, o relatório mostrou um crescimento no número de profissionais que mudam para o interior para trabalhar. Para Fonseca, a interiorização é uma tendência que ganhou força nos últimos anos com melhores oportunidades nessas regiões e, também, por conta da popularização do modelo home office, que possibilita o trabalho distante dos grandes centros.

Apesar do documento não apresentar dados sobre o desempenho das micro e pequenas empresas em 2020, Fonseca comenta que a expectativa é de zerar o saldo de novos desempregados, registrado neste ano. Com o início de uma recuperação a partir de julho, o analista prevê uma continuidade na geração de novos postos de trabalho.

O anuário ainda revela uma maior valorização salarial dos funcionários nos pequenos negócios, com 11,2% de crescimento. Um índice que corresponde a quase três vezes mais, em comparação à remuneração de grandes empresas. Esse salto reduziu a diferença salarial dos segmentos em 10%.

Por Victor Assis

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