SEXTA, 25/09/2026, 16:17

Com 190 declarações de doação de órgãos nos cartórios, Londrina avança na conscientização do Setembro Verde

Cidade integra o total de mais de 3,8 mil registros feitos no Paraná por meio da plataforma online, que busca reduzir a recusa familiar em meio à fila de 49 mil transplantes no país

Mais de 3,8 mil paranaenses já registraram oficialmente a intenção de doar órgãos por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), sendo 190 desses registros realizados em Londrina. Lançado em 2024, o serviço permite declarar a vontade de forma gratuita e totalmente online. O avanço ganha relevância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a causa, no momento em que mais de 49 mil brasileiros aguardam por um transplante

Segundo a diretora do Colégio Notarial do Paraná, Amanda Canezin, a ferramenta ajuda a deixar clara a vontade do possível doador e pode facilitar a comunicação com a família. No Paraná, foram registradas 3.818 solicitações de AEDO: 1.374 em 2024, 1.290 em 2025 e 1.154 em 2026, de acordo com os dados mais recentes.

Apesar do avanço, a autorização da família continua sendo um dos principais desafios para a doação. No Brasil, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a retirada dos órgãos após a morte depende da autorização dos familiares. A taxa média de recusa familiar é de cerca de 45%. Entre os motivos estão justamente o desconhecimento sobre a vontade do possível doador e dúvidas sobre o procedimento.

A AEDO foi criada pelo Colégio Notarial do Brasil e regulamentada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento permite que o cidadão indique quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e também pode ser revogado a qualquer momento.

Para fazer o registro, basta acessar a plataforma da AEDO, preencher os dados e escolher um Cartório de Notas. Depois, é realizada uma videoconferência com o tabelião para confirmar a identidade e a vontade do interessado. A assinatura é feita de forma eletrônica e o documento fica disponível para consulta pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

Para Amanda Canezin, além de registrar a decisão, é fundamental que a pessoa converse com os familiares sobre a vontade de ser doadora. A medida pode evitar dúvidas no momento em que a família precisar tomar a decisão. O procedimento pode ser feito de casa, sem a necessidade de comparecer presencialmente ao cartório.

A mobilização sobre o tema ganha uma data importante neste domingo (27), quando é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos. A data busca incentivar a população a falar sobre o assunto e comunicar aos familiares a decisão de ser doador.

Por João Gabriel Rodrigues

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