Com os cofres municipais em colapso, CMTU diz que vai limitar subsídio das empresas de ônibus em R$ 50 milhões e ajustar linhas "ociosas"
Mudanças fazem parte de plano de contingenciamento anunciado pela prefeitura para conter déficit de R$ 200 milhões
O plano de corte de gastos, anunciado pela Prefeitura de Londrina nessa terça-feira (29), para fazer frente ao déficit de mais de R$ 200 milhões, previsto para 2026, passa diretamente pelo serviço do transporte coletivo. O prefeito Tiago Amaral disse que, em 2024, o município aprovou um decreto que, segundo ele, deu um "cheque em branco" às empresas de ônibus no que diz respeito ao chamado subsídio, que é o repasse feito pela prefeitura para o custeio do sistema. A decisão tomada pela administração anterior, de acordo com Amaral, criou uma despesa exorbitante que, segundo ele, o município não tem mais condições de arcar.
Somente para este ano, o valor previsto a ser repassado às concessionárias gira em torno dos R$ 170 milhões. O prefeito adiantou, entretanto, que só deve repassar R$ 120 milhões. A informação vai ao encontro da apuração exclusiva feita pela CBN Londrina que, ainda na terça, antes do anúncio das medidas de contingenciamento, mostrou que, entre o dia 2 de agosto e o último dia 19, as concessionárias já tinham deixado de receber R$ 21,6 milhões do poder público.
Para o ano que vem, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) pretende criar mecanismos para limitar o valor a ser repassado em R$ 50 milhões. O desafio é grande, uma vez que, segundo o município, as medidas serão tomadas sem que haja diminuição no número de linhas e aumento no valor da passagem, atualmente em R$ 6,25. O presidente da CMTU, Renan Salvador, garantiu ainda que não haverá interrupção no pagamento dos salários dos motoristas.
Os ajustes, segundo Salvador, envolvem 25 linhas de ônibus que, conforme uma análise de dados feita pela companhia, são consideradas "ociosas" e somaram um prejuízo de R$ 75 milhões em 2026. A CMTU pretende remodelar a quantidade de viagens e os intervalos de acordo com a demanda, reduzindo, assim, a quilometragem percorrida pelos ônibus com baixa ou nenhuma ocupação. Apesar de os coletivos terem capacidade máxima de 80 passageiros, a média é de 21,6 passageiros por volta completa de segunda a sábado e de apenas 2,3 passageiros aos domingos. As mudanças devem aumentar o tempo de espera por parte dos usuários nos pontos. Renan Salvador garantiu que as mudanças não serão aplicadas "da noite para o dia", mas destacou ser importante que o resultado almejado seja obtido ainda este ano.