Em doze anos, número de presos com tornozeleira eletrônica disparou quase 20 vezes em Londrina
Atualmente, cidade tem mais de 3.300 detentos sendo monitorados. Especialista diz que medida é de ressocialização e lembra que quem rompe a tornozeleira, volta direto para a cadeia
O número de presos com tornozeleira eletrônica em Londrina disparou quase 20 vezes nos últimos doze anos. Se em 2014 a cidade tinha 191 detentos sob monitoramento, hoje já são 3.365 nessa situação. O aumento exponencial reflete o investimento, por parte do Governo do Estado, em tecnologia na área da segurança pública. Atualmente, o Paraná é o estado brasileiro com o maior número de presos com tornozeleira. Já são 21.673 detentos monitorados contra apenas 948 em 2014, o que representa uma alta de mais de 2.000%.
Ao longo da última década, o poder público investiu em equipamentos eficazes, na qualificação das equipes e, principalmente, nas centrais de monitoramento eletrônico. O complexo, o maior do tipo do Brasil, consegue mapear, em tempo real, a localização dos monitorados e, se necessário, avisar os órgãos de segurança sobre eventuais contratempos.
O advogado criminalista Sergio Barroso, que foi delegado-chefe da Polícia Civil em Londrina nos anos 2000, disse que, atualmente, a tornozeleira é um direito previsto no Código de Processo Penal. Ele defendeu o monitoramento eletrônico como forma eficaz de ressocialização dos presos e também de desafogar o sistema penal.
Por outro lado, os críticos à medida dizem que muitos presos se aproveitam do benefício para praticar novos delitos. Eles também afirmam que o monitoramento, fora da cadeia, aumenta a sensação de impunidade e, ainda, "desmerece" o trabalho ostensivo da polícia, que atua para prender suspeitos que, posteriormente, raramente ficam detidos.
O advogado criminalista reconheceu que há presos que se aproveitam do sistema para voltar a cometer crimes, mas garantiu que o número é pequeno. De acordo com ele, menos de 10% dos monitorados rompem a tornozeleira enquanto estão fora da prisão.
Barroso também garantiu que a fiscalização por parte dos órgãos competentes é eficaz para coibir as irregularidades, destacando que quem rompe a tornozeleira, volta direto para a cadeia.
O advogado defendeu ainda o monitoramento como forma de trazer mais segurança a mulheres vítimas de violência que possuem medidas protetivas contra os agressores. A tornozeleira ajuda a polícia a mapear o comportamento do acusado e, consequentemente, faz com que ele se mantenha longe da vítima.