TERCA, 26/05/2026, 10:08

Endividamento das famílias em Londrina supera média nacional no 2º trimestre de 2026

Pesquisa aponta que mais de 90% das famílias londrinenses possuem algum tipo de dívida. Quase um terço já está negativado

O comprometimento da renda das famílias em Londrina atingiu níveis acima da média nacional no segundo trimestre deste ano. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC Londrina), realizada pelo NuPEA, da UTFPR. O levantamento revela que 91,4% das famílias da cidade possuem algum tipo de dívida ou compromisso financeiro, índice superior aos 80,9% registrados no cenário nacional.

O estudo considera como endividamento despesas como cartão de crédito parcelado, financiamentos, empréstimos, carnês e prestações de imóveis e veículos. Para o professor e economista Marcos Rambalducci, o problema não está no fato de o londrinense contrair dívidas, mas, sim, no não pagamento dos compromissos firmados.

Entre os consumidores londrinenses com dívidas, 36,2% afirmaram estar com contas em atraso, percentual também acima da média brasileira, que ficou em 29,7%. Já o número de famílias que disseram não ter condições de pagar ao menos parte dos débitos chegou a 14,8%, enquanto a média nacional foi de 12,3%.

A pesquisa também identificou avanço na negativação dos consumidores. Atualmente, 30,7% dos entrevistados disseram possuir restrição de crédito, contra 28% registrados no primeiro trimestre deste ano.

Outro dado que chama atenção é o tempo necessário para quitar as dívidas. Apenas 9,7% das famílias acreditam conseguir liquidar os débitos em até três meses. Em contrapartida, 63,8% afirmaram que levarão mais de um ano para sair do endividamento.

De acordo com Rambalducci, entre os meios para ajudar na quitação das dívidas, dois se destacam: o Desenrola Brasil 2.0 e a restituição do Imposto de Renda, que, em Londrina, deve contemplar cerca de 72 mil pessoas só neste primeiro lote.

Entre as famílias com contas atrasadas, 46,2% afirmaram que vão conseguir pagar ao menos parte das dívidas, enquanto 13,4% declararam não ter condições de quitar sequer parcialmente os débitos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 14 de maio de 2026, com 361 entrevistados residentes em Londrina. A margem de erro é de 5%.

Por Paulo Andrade

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