Ex-namorado é condenado a 23 anos e três meses por planejar ataque com soda cáustica contra jovem em Jacarezinho
Acusado de tentativa de homicídio com três agravantes, Marlon Ferreira Lemes deve cumprir a pena em regime fechado
Depois de anos de um crime que chocou Jacarezinho e repercutiu em todo o Paraná, a Justiça condenou Marlon Ferreira Lemes a 23 anos e três meses de prisão por planejar o ataque com soda cáustica contra a ex-namorada Isabelly Aparecida Ferreira Moro. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri na noite dessa terça-feira (9) e reconheceu que Marlon é responsável por tentativa de feminicídio qualificada.
Durante o julgamento, os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público de que o crime foi motivado por vingança e pelo sentimento de posse que o réu mantinha em relação à vítima, depois do fim do relacionamento. Além disso, foram mantidas as três qualificadoras apontadas pela acusação: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Na avaliação dos jurados, Isabelly foi surpreendida sem qualquer possibilidade de reação, já que a autora do ataque utilizava disfarce para não ser reconhecida. O uso de soda cáustica, uma substância altamente corrosiva e capaz de provocar graves queimaduras, também foi considerado um meio cruel, pois tinha potencial para causar intenso sofrimento físico e sequelas permanentes.
Além da condenação criminal, a sentença determina que Marlon pague R$ 50 mil de indenização por danos morais à vítima, como forma de reparação pelos prejuízos causados pelo ataque.
O julgamento também incluía Débora Aparecida Custódio Ferreira, apontada pela investigação como a responsável por executar o crime. No entanto, a defesa dela decidiu abandonar a sessão do Tribunal do Júri, alegando que o julgamento não estava sendo conduzido de forma justa. Diante da situação, o processo contra ela foi suspenso e será levado a júri em uma nova data, que ainda será definida pela Justiça.
O caso ocorreu na tarde de 22 de maio de 2024. Isabelly caminhava em direção à academia quando foi abordada por uma mulher que lançou um líquido contra seu rosto e parte do corpo antes de fugir. Imagens de câmeras de segurança registraram a jovem correndo desesperada pelas ruas em busca de ajuda.
Durante o processo, os acusados confessaram participação no caso. Marlon admitiu que planejou o ataque e alegou que pretendia apenas dar um "susto" em Isabelly. Já Débora confirmou que foi a responsável por lançar a soda cáustica e declarou que agiu seguindo as orientações dadas por Marlon.
Marlon deve cumprir pena em regime fechado, e permanece preso na Penitenciária Estadual de Londrina. Débora também segue presa na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.