SEGUNDA, 26/10/2026, 12:54

Gaeco apreende "bolos" de dinheiro em empresa acusada de desviar R$ 36 milhões de hospitais

Distribuidora de títulos de capitalização teria se valido de sorteio de prêmios, na modalidade filantrópica, para se apropriar de recursos que deveriam ser destinados a entidades assistenciais

Os promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina concederam uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (26) para detalhar as investigações da Operação Samaritano, que apura o desvio de recursos de entidades assistenciais e a lavagem do dinheiro obtido com o suposto esquema. A operação cumpriu mandados contra um conglomerado de empresas, sediado na cidade, acusado de vender títulos de capitalização, na modalidade filantrópica, e se apropriar de cerca de R$ 37 milhões que deveriam ter sido destinados à Santa Casa e ao Hospital do Câncer de Londrina entre os anos de 2020 e 2022, considerado o período mais crítico da pandemia de coronavírus.

As equipes cumpriram 17 mandados de busca e apreensão na distribuidora de títulos de capitalização e em endereços relacionados aos investigados. Os policiais encontraram "bolos" de dinheiro dentro de um armário e carros de luxo na garagem da mansão de um dos suspeitos. O promotor Leandro Antunes explicou que foi possível confirmar, por meio das investigações, que os recursos entraram nos cofres dos hospitais, mas saíram logo depois, voltando para o conglomerado. Com a apreensão dos documentos e dados digitais pela operação, ele espera conseguir rastrear o destino da verba e, assim, confirmar as irregularidades.

Os valores, obtidos por meio da comercialização dos títulos de capitalização, também teriam sido aumentados de forma artificial por meio da emissão de notas fiscais "frias", duplicadas ou que faziam referência a serviços prestados a outras empresas dos investigados. Parte das notas fiscais, inclusive, teriam sido emitidas por empresas de fachada abertas em nome de funcionários e fornecedores, conforme destacou o promotor Guilherme Barros.

Os investigados teriam adquirido imóveis e veículos de luxo com os recursos supostamente desviados. Eles vão responder por apropriação indébita, estelionato contra entidades beneficentes, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A Justiça também determinou o bloqueio dos quase R$ 37 milhões em recursos e bens que teriam sido desviados pelo esquema. Por enquanto, segundo o promotor José Montesino, os hospitais são tratados como vítimas do esquema.

Procurada pela CBN, a Santa Casa disse que ainda não foi informada oficialmente sobre a operação e, por isso, por enquanto não vai se manifestar. O Hospital do Câncer de Londrina também não se manifestou até o momento.

Por Guilherme Batista

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