Grupo é preso acusado amarrar, dopar e torturar homem que morreu ao cair do 14º andar de prédio
Delegacia de Homicídios investiga se vítima foi jogada da janela do apartamento pelos quatro acusados ou se ela caiu tentando fugir do local, que fica na zona leste de Londrina
Quatro homens foram presos, nesta sexta-feira (15), acusados de tortura e cárcere privado com resultado morte no caso envolvendo a queda de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, do 14º andar de um prédio localizado na avenida Celso Garcia Cid, na zona leste de Londrina. O corpo do rapaz foi encontrado durante a manhã por vizinhos. O síndico chamou a polícia, que isolou o local para a realização dos procedimentos cabíveis.
Num primeiro momento, o caso foi tratado como suicídio pelas autoridades. Mas, assim que a polícia teve acesso ao apartamento de onde Ramos caiu, a linha de investigação mudou de rumo, já passando a levar em conta a possibilidade de o rapaz ter sido morto pelos moradores do local.
As seis pessoas encontradas no apartamento, sendo cinco homens e a namorada da vítima, foram levadas para a Delegacia de Homicídios. Por meio da coleta de depoimentos, o delegado Michel Chibani, responsável pelo inquérito, confirmou que Ramos foi amarrado, dopado e torturado por quatro dos seis moradores do imóvel durante a noite de quinta e a madrugada de sexta-feira.
Segundo o delegado, o grupo agiu dessa forma depois de descobrir que Ramos havia roubado, do apartamento, em uma outra oportunidade, uma câmera avaliada em R$ 12 mil. Durante a sessão de tortura, inclusive, o homem teria confessado o crime e dito ao grupo o nome da pessoa para quem ele havia vendido o equipamento. Chibani disse que um dos moradores, apontado como o dono da câmera, chegou a procurar o comprador, mas o item já havia sido revendido.
Ainda segundo a polícia, as agressões teriam durado cerca de quatro horas. Depois de torturar Ramos, o grupo alega ter pedido uma pizza e ido dormir, na sequência. Os homens negam ter jogado a vítima da janela do apartamento. Dizem que só souberam da queda quando foram acordados, já durante a manhã, com os policiais batendo na porta do apartamento. A namorada da vítima e o outro morador dizem ter sido vítimas do grupo. A jovem afirmou que levou Ramos até o imóvel, onde ela também morava, sem saber que ele iria ser alvo das agressões. O outro morador disse que tentou ligar para a polícia, ainda na madrugada, mas foi impedido e ameaçado pelos acusados.
A Delegacia de Homicídios espera pelo resultado dos exames feitos no IML sobre as causas da morte de Ramos para dar andamento às investigações. O inquérito quer saber se ele morreu em decorrência da queda, enquanto tentava fugir, ou se foi morto no apartamento antes de ser jogado pela janela. Os quatro acusados seguem presos, à disposição da Justiça.