QUINTA, 03/09/2026, 11:48

Imagens de câmera corporal não mostram abordagem que terminou com adolescente morto pela Guarda Municipal

Gravação traz apenas imagens da perícia realizada no local onde aconteceu abordagem e prisão do pai do menor, que foi perseguido pelas equipes

As imagens da câmera corporal do guarda municipal envolvido na morte do adolescente Murilo Dias, de 15 anos, em Londrina, não mostram o momento em que o menor foi baleado pelos agentes. A gravação anexada ao processo traz apenas imagens da perícia no local onde aconteceu a abordagem e a prisão do pai do adolescente, Volmir Dias, que foi perseguido pela Guarda após, supostamente, atirar para o alto em uma pizzaria na área central. De acordo com o boletim de ocorrência do caso, o suposto confronto teria acontecido por volta das 20h do dia 31 de julho. A gravação, no entanto, começa a partir das 22h do referido dia.

Na época, a Guarda Municipal informou que o agente precisou reagir depois de perceber que o adolescente estava armado. Já o pai do menor disse que a arma estava no assoalho do carro e que, no momento da abordagem, o filho passou mal em razão de uma crise epiléptica.

A advogada da família de Murilo, Aline Capocci, disse que as imagens divulgadas passam longe de esclarecer o que de fato aconteceu na noite em que o adolescente foi morto. Ela lembrou que há uma determinação judicial para que o comando da Guarda preserve todas as imagens do caso e garantiu que vai apresentar um novo recurso pedindo para que o material seja disponibilizado na íntegra.

A advogada destacou que também será preciso investigar se o guarda envolvido não gravou a abordagem de propósito, se o comando apagou o início da gravação ou se a GM entregou apenas parte do material. Aline defendeu a apuração de um eventual crime de desobediência e a intervenção do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organização (Gaeco) nas investigações. Outro ponto citado pela advogada, ainda sem resolução, é a perícia no carro do pai do adolescente.

Em nota, o comando da Guarda informou que não vai mais comentar o caso para garantir que a investigação feita pela Polícia Civil e pela própria Corregedoria da GM seja isenta e imparcial.

Por Guilherme Batista

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