MP aponta internação involuntária sem respaldo adequado em clínica de reabilitação fechada recentemente
Espaço é investigado por cárcere privado e maus-tratos, além de supostas falsificações de receitas médicas. Dono segue foragido
A investigação sobre uma clínica de reabilitação recentemente fechada em Londrina, ganhou novos desdobramentos após o resgate de pacientes que estavam internados em condições consideradas irregulares. O proprietário do local segue sendo procurado, enquanto o Ministério Público do Paraná apura uma série de crimes, incluindo cárcere privado, tortura e uso indevido de medicamentos.
De acordo com a promotora Susana de Lacerda, os casos identificados eram, em sua maioria, de internações involuntárias solicitadas por familiares, mas sem o devido cumprimento das exigências legais, como laudos médicos consistentes e acompanhamento adequado.
A investigação também aponta que muitas famílias podem ter sido induzidas ao erro ao contratar os serviços da clínica, que divulgava a possibilidade de internação involuntária como diferencial, sem garantir estrutura ou regularização para isso.
Segundo a promotora, a responsabilidade principal recai sobre a instituição, que oferecia e comercializava o serviço.
Durante a fiscalização, foi constatado que pacientes estavam trancados no interior da clínica, situação presenciada pelas próprias autoridades. O espaço também operava sem alvará de funcionamento e sem as condições mínimas exigidas pelos órgãos reguladores, como Vigilância Sanitária e Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (COMAD).
Os valores cobrados variavam entre R$ 1.500 e R$ 2.500 mensais, sem padrão definido, e não havia oferta de vagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após a interdição, todos os internos foram encaminhados para suas cidades de origem ou para outros serviços de acolhimento e avaliação.
A promotoria reforça que o caso ainda está em fase de apuração e que os enquadramentos criminais serão definidos conforme o avanço das investigações. Há indícios de falsificação de receitas, alimentação precária e ausência de cuidados básicos com os internos.
Além disso, foi feito um alerta às famílias que buscam esse tipo de serviço: é fundamental verificar a regularidade da instituição junto aos órgãos de saúde, visitar o local previamente e desconfiar de práticas como “resgates” com uso de força.