Novas regras reduzem prazo para doação de sangue após tatuagem e cirurgias
Portaria do Ministério da Saúde entrou em vigor em 30 de setembro e também permite, em situações específicas, a doação por pessoas que tiveram câncer e por doadores com mais de 70 anos
As regras para doação de sangue ficaram mais flexíveis com a entrada em vigor, em 30 de setembro, de uma nova portaria do Ministério da Saúde. Em entrevista à Rádio CBN Londrina, o médico do Hemocentro, Dr. Leandro Arthur Diehl, explicou que as mudanças reduzem o período de espera em algumas situações, sem deixar de lado os cuidados para garantir a segurança do doador e de quem vai receber o sangue.
Uma das principais alterações envolve pessoas que fizeram tatuagem ou colocaram piercing. Antes, era necessário esperar seis meses para voltar a doar. Agora, o prazo caiu para quatro meses. Em casos em que o procedimento foi realizado em um estabelecimento autorizado pela Vigilância Sanitária, o prazo pode ser ainda menor: a doação pode ser liberada sete dias depois. Para isso, o doador precisa apresentar o comprovante da licença sanitária do local onde o procedimento foi realizado.
Também houve redução no período de espera para alguns procedimentos médicos. No caso da cirurgia bariátrica, por exemplo, o prazo caiu de um ano para seis meses. Já para procedimentos como endoscopia, colonoscopia e cirurgias por videolaparoscopia, o período passou de seis para quatro meses.
Outra mudança importante diz respeito a pessoas que tiveram câncer. Segundo o Dr. Leandro Diehl, antes esses pacientes eram considerados definitivamente impedidos de doar sangue. Agora, em algumas situações, a doação pode voltar a ser permitida cinco anos após o fim do tratamento, desde que não exista nenhuma evidência da doença nesse período. A regra, porém, não vale para alguns tipos de câncer, como leucemias, linfomas e melanoma, que continuam sendo impedimentos definitivos para a doação.
De acordo com o médico, as mudanças foram possíveis principalmente por causa da evolução dos exames realizados no sangue doado. Os testes estão mais sensíveis para identificar possíveis doenças transmissíveis, o que permite reduzir alguns períodos de espera previstos anteriormente.
A nova portaria também alterou a regra para pessoas com 70 anos ou mais. A partir de agora, elas podem continuar doando sangue, mas existe uma condição: precisam ser doadores de repetição, ou seja, ter realizado pelo menos duas doações nos 12 meses anteriores. Por isso, pessoas que já passaram dos 70 anos e nunca doaram ou não fizeram pelo menos duas doações no último ano não podem começar ou retomar a doação apenas com base na nova regra.
O Dr. Leandro Diehl reforça que, apesar das mudanças, a segurança continua sendo prioridade. Para doar sangue, é importante estar em boas condições de saúde, bem alimentado e hidratado, além de apresentar um documento oficial com foto. A doação é voluntária, anônima e essencial para manter os estoques de sangue disponíveis aos pacientes que precisam de transfusão.