QUINTA, 14/11/2019, 19:06

Número de moradores de rua aumenta consideravelmente depois que grades foram retiradas da Rodoviária a pedido do Ministério Público

Pessoas que trabalham no local estão com medo e afirmam que o local virou ponto de tráfico de drogas.

Nossa reportagem esteve na tarde da última quinta-feira no Terminal Rodoviário de Londrina.

Na área de embarque e desembarque por trás do terminal, onde tem um ponto de táxi a situação é assustadora.

O volume de moradores de rua no local é muito grande.

Contabilizamos 20 colchões, de solteiros e de casais, alguns moradores de rua dormiam no local na hora em que nossa equipe passou, outros que estavam acordados não permitiram que tirássemos fotos ou fizéssemos vídeos.

Alguns estavam com tornozeleira eletrônica, tentamos até conversar com alguns deles, mas não quiseram dar entrevista.

No local além de colchões, roupas e cobertores tinham utensílios domésticos e micro-ondas.

O micro-ondas estava ligado em uma das tomadas da Rodoviária.

Os taxistas que trabalham ali estão aterrorizados, quem passa por ali filma e fotografa escondido. Algumas imagens de confusão e brigas a noite foram enviadas à nossa reportagem.

Conseguimos gravar com um taxista depois de muita insistência, ele disse que tem medo e que são ameaçados o tempo todo.

Fizemos a entrevista escondido e ele conta que durante a noite a situação é muito pior.

O taxista afirma que o local virou ponto para o tráfico de drogas. E que denuncias para a Polícia ou para a Guarda Municipal não resolvem. E tudo só piorou depois que o Ministério Público deu aval pra eles ficarem lá, após a retirada das grades do local.

A Secretaria de Assistência Social tem feito abordagens. De acordo com a Secretária de Assistência Social, Jaqueline Micali, não pode levá-los à força. Eles não querem ser levados e atendidos pela assistência porque são usuários de drogas.

Segundo Jaqueline em dezembro um novo modelo de abordagem será realizado em Londrina. As abordagens vão ficar a cargo de ex-moradores de rua.

Ainda de acordo com a Secretária de Assistência Social Jaqueline Micali, uma reunião deve ser agendada com o MP para avaliar que medidas serão tomadas.

Nossa reportagem insistiu tentando respostas do Ministério Público, mas até o fechamento dessa edição não recebemos retorno.

O superintendente do terminal Rodoviário, Sandro Neves, preferiu não gravar entrevista, mas afirmou que não há o que fazer e ressaltou que depois que as grades foram retiradas o número de moradores de rua só aumenta a cada dia. A situação está incontrolável. Os banheiros da rodoviária estão sendo usados por esses moradores que também pedem esmolas aos passageiros. 

Por Bruno Carraro

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