SEGUNDA, 25/05/2026, 11:20

Números alarmantes confirmam Londrina como rota nacional dos contrabandistas de canetas emagrecedoras

Mais de 6 mil unidades do medicamento foram apreendidas no município entre janeiro e abril deste ano. Autoridades alertam para os perigos do consumo de material produzido e transportado de forma clandestina

A entrada desenfreada das chamadas canetas emagrecedoras pelo Paraguai acendeu o alerta entre as autoridades de saúde e de segurança brasileiras. De acordo com estimativas do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, o contrabando dos medicamentos deve movimentar mais de R$ 2 bilhões somente este ano. O órgão também reconhece que o contrabando das canetas já substituiu o dos cigarros como o principal a ser combatido. Entre janeiro e o último dia 20, por exemplo, mais de 65 mil unidades do medicamento foram apreendidas pela polícia somente na região de Foz do Iguaçu. O número supera em 165% o total das apreensões realizadas em todo o estado no mesmo período do ano passado. Os números registrados em Londrina também chamam atenção. A cidade só fica atrás de Foz no ranking das apreensões das canetas. Entre janeiro e abril deste ano, 6.190 unidades dos medicamentos foram apreendidas na cidade, o dobro na comparação com as cerca de 3 mil apreendidas no mesmo período do ano passado. A carga apreendida em 2026 foi avaliada em quase R$ 2 milhões pela Receita Federal.

 

Em entrevista à CBN nesta segunda-feira (25), o porta-voz da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Rafael Sambatti, destacou que o volume alto de apreensões reforça a região norte do estado como rota nacional dos contrabandistas. Ao que tudo indica, conforme ele, os veículos passam pela cidade a caminho dos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, para onde as cargas são enviadas. Ele também disse que parte do material fica na cidade, para atender a demanda da região.

 

SN CANETA 1

 

Sambatti alertou para os perigos do consumo do medicamento clandestino, cuja a venda é proibida em território brasileiro. É clandestino não só o transporte, mas também, conforme ele, a fabricação dos medicamentos no Paraguai.

 

SN CANETA 2

 

De acordo com o policial, já há indícios de que o crime organizado esteja por trás da comercialização ilegal das canetas. O esquema criminoso envolve uma verdadeira rede, com braços na fabricação, no transporte e na comercialização do produto, que é oferecido ao consumidor por preços bem acima dos de mercado. A margem de lucro dos contrabandistas pode chegar a 400%.

 

SN CANETA 3

 

Os contrabandistas respondem por crime contra a saúde pública e pela entrada e comercialização irregular de medicamentos em território brasileiro sem autorização sanitária. A pena pode chegar a três anos de prisão.

Por Guilherme Batista

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