Pedido de investigação por remanejamento de R$ 20,8 milhões do Fundo do Meio Ambiente é adiado na Câmara
Vereadores decidiram adiar a votação que pode abrir a investigação sobre o uso de verbas ambientais para pagar despesas básicas do município; o assunto volta ao plenário nessa quinta-feira (9)
A Câmara Municipal de Londrina (CML) adiou, na sessão desta terça-feira (7), a votação do pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar a prefeitura pelo remanejamento de R$ 20,8 milhões do Fundo do Meio Ambiente.
O requerimento, que estava na pauta do dia, foi retirado de tramitação por uma sessão a pedido dos próprios vereadores que propuseram a investigação: Deivid Wisley, Jessicão, Matheus Thum, Michele Thomazinho e Roberto Fú. Logo depois, um grupo de outros sete parlamentares apresentou um pedido de urgência para acelerar a análise do caso. Esse pedido foi aprovado pelo plenário com 12 votos a favor, 5 contra e duas ausências. Mesmo assim, os autores da CPI reforçaram o pedido para adiar a discussão, o que acabou prevalecendo. Com isso, o requerimento foi transferido para a próxima sessão, marcada para quinta-feira (9).
O pedido de investigação foi protocolado na última quinta-feira (2) e baseia-se em denúncias de que a prefeitura teria remanejado de forma indevida o dinheiro do Fundo Municipal do Meio Ambiente e do ICMS Ecológico para pagar despesas cotidianas da máquina pública, como contas de água, luz, limpeza, aluguéis e merenda escolar.
O remanejamento teria beneficiado secretarias como as de Educação e de Assistência Social, além da Procuradoria-Geral do Município.
O caso começou a ser apontado pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente em maio de 2026 e virou uma recomendação do Ministério Público (MP) no final de junho. O MP afirma que a prefeitura assinou quatro decretos em 2025, mudando o destino do dinheiro sem autorização, e agora exige a devolução de pelo menos R$ 13,3 milhões que foram repassados para a Educação.
A prefeitura alegou que usou sobras financeiras permitidas por lei, mas o Ministério Público contesta, afirmando que o dinheiro já estava reservado para projetos ambientais e que a verba do ICMS Ecológico só pode ser gasta na proteção à natureza.