SEXTA, 09/10/2026, 10:31

Polícia Civil investiga ameaças com apologia ao nazismo feitas contra protesto na UEL

Mensagens incitando atos de violência na manifestação foram postadas em um grupo de WhatsApp. Apesar das ameaças, protesto foi realizado sem o registro de intercorrências

A 10ª Subdivisão Policial de Londrina informou, nesta sexta-feira (9), que abriu um inquérito para apurar mensagens com apologia ao nazismo e incitação à violência contra uma manifestação política, realizada no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na noite dessa quinta-feira (8). Uma viatura da Polícia Civil, inclusive, acompanhou o protesto, que foi realizado, em frente ao Restaurante Universitário (RU), sem o registro de intercorrências.

De acordo com a polícia, o inquérito foi aberto após provocação da 24ª Promotoria de Justiça de Londrina e da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Os órgãos encaminharam, à autoridade policial, captura de diversas mensagens que haviam sido postadas em um grupo de WhatsApp de cunho político na quarta-feira (7). As mensagens continham imagens com símbolos nazistas e ameaças diversas, envolvendo, inclusive, um suposto ataque a bomba durante a manifestação.

A polícia lembrou que, em tese, veicular símbolos ou propaganda que utilizem símbolos do regime arianista para fins de divulgação do nazismo é crime com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa. A incitação pública à prática de crime está prevista no artigo 286 do Código Penal. A investigação também vai verificar a ocorrência de outras infrações, inclusive de natureza discriminatória, que eventualmente possam surgir no curso da apuração.

O inquérito tem por objetivo verificar a autenticidade e a integridade das mensagens, identificar os possíveis autores e individualizar a conduta de cada um. Até o momento, não há investigado formalmente identificado.  As diligências tramitam sob sigilo.

Em nota, a UEL informou que estava ciente das manifestações divulgadas nos grupos de WhatsApp e que, inclusive, já havia definido um plano de contingência para "resguardar pessoas e o patrimônio físico" da instituição durante o protesto de quinta-feira.

O comunicado informou ainda que o "Regimento Geral da UEL proíbe qualquer conduta que cause danos físicos ou psicológicos a membros da comunidade". A Universidade Estadual de Londrina, ainda segundo a nota, "tem como princípio a gestão democrática e o pluralismo de ideias. Além disso, "sua autonomia universitária é assegurada pela Constituição Federal e pela Constituição Estadual". Nesse sentido, de acordo com a instituição, "manifestações políticas, das mais diversas correntes, são amplamente admitidas em seus espaços, sendo recepcionadas como verdadeiras expressões da identidade democrática".

Por Guilherme Batista

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