Professora agredida por aluno volta ao trabalho e cobra proteção e resposta da Justiça
Márcia Luciana da Rocha, de 61 anos, afirma que ainda não foi ouvida pelo Ministério Público e diz que professores estão expostos à violência dentro das escolas
17 dias depois de ser agredida por um aluno de 14 anos dentro da sala de aula, a professora Márcia Luciana da Rocha, de 61 anos, voltou ao trabalho na quarta-feira (9), no Colégio Estadual Cívico-Militar Monsenhor Josemaría Escrivá, no Jardim Pacaembu, zona norte de Londrina.
Em entrevista à reportagem da Rádio CBN Londrina, ela afirmou que ainda aguarda ser ouvida pelo Ministério Público (MPPR) e questionou a decisão tomada no caso sem que, segundo ela, tivesse sido chamada para prestar depoimento.
A agressão ocorreu na tarde de 24 de agosto. A professora ficou ferida e teve os óculos quebrados durante o episódio. Segundo Márcia, o adolescente recebeu seis meses de medida socioeducativa de liberdade assistida. Ela afirma que tomou conhecimento da decisão, mas não foi ouvida pelo Ministério Público.
A professora também reclama da falta de contato da Secretaria de Estado da Educação e do Núcleo Regional de Educação de Londrina. Segundo ela, até agora não recebeu assistência direta dos órgãos. Márcia afirma ainda que o aluno teria feito ameaças na nova escola para a qual foi transferido, incluindo comentários sobre massacre e sangue. As informações, segundo ela, foram repassadas por uma professora da instituição.
No retorno às atividades, Márcia defende medidas para aumentar a segurança nas escolas, como a instalação de detectores de metal e o reconhecimento de condições de periculosidade para os profissionais. Márcia também pretende buscar na Justiça o ressarcimento pelo prejuízo causado pela quebra dos óculos.
Apesar da revolta, a professora afirma que não busca vingança contra o adolescente. Ela diz que pretende continuar recorrendo para ser ouvida e buscar medidas que, na avaliação dela, possam garantir mais segurança aos professores.
Procurada pela reportagem da Rádio CBN Londrina, a Secretaria de Estado da Educação informou que, assim que tomou conhecimento do caso, o Núcleo Regional de Educação de Londrina adotou, junto à direção da escola, as medidas cabíveis. A professora recebeu atendimento médico em uma UPA e foi afastada das atividades, conforme atestado médico. A polícia também foi acionada para o registro do boletim de ocorrência.
Ainda segundo a secretaria, a direção da escola realizou uma reunião com o responsável pelo estudante para tratar do caso e aplicar as medidas administrativas e pedagógicas possíveis. O NRE afirma que continua acompanhando a situação e prestando suporte à professora e à comunidade escolar. A pasta também informou que oferece atendimento psicológico aos profissionais da rede estadual.
A reportagem entrou em contato com o Ministério Público para obter informações sobre a medida aplicada ao adolescente e sobre a alegação da professora de que ainda não foi ouvida. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.