QUARTA, 26/07/2017, 17:56

Projeto que cria Escola Sem Partido em Londrina vai voltar à pauta da Câmara em setembro

Autor do projeto, Filipe Barros participou de debate com a presença do criador do movimento nacional do Escola Sem Partido, na sede do Sincoval, em Londrina.

Mais de 150 pessoas foram até o auditório do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região na noite desta terça-feira para participar de um debate sobre o Escola Sem Partido. Entre os debatedores, estava o fundador do Programa, o procurador do Estado de São Paulo, Miguel Nagib. Também para defender a medida, o vereador Filipe Barros (PRB), autor do Projeto de Lei que institui o Escola Sem Partido nas escolas de Londrina. Do outro lado da mesa, estavam o vereador Amauri Cardoso (PSDB) e o professor e mestrando da UEL, Khalil Portugal, ambos contrários ao projeto.

 

O Escola Sem Partido foi criado em 2004, com o objetivo de coibir o que o movimento chama de “doutrinação” nas salas de aula. O grupo também defende uma menor interferência das escolas na educação de crianças e adolescentes, para uma maior presença da família.A partir de 2015, o Escola Sem Partido ganhou mais visibilidade, quando as câmaras municipais, as assembleias legislativas e o Congresso Nacional passaram a debater projetos de lei inspirados pelo movimento. Em Londrina, o texto da lei estabelece que as escolas deverão afixar nas salas de aula cartazes indicando deveres dos professores. A medida ainda pretende vedar discussões sobre ideologia de gênero nas escolas.

 

Na plateia, os ânimos estavam exaltados. No fundo do auditório,muitas manifestações em repúdio ao Escola Sem Partido, muitas vezes respondidas por Filipe Barros e Miguel Nagib. Já as cadeiras da frente estavam reservadas a apoiadores do projeto. O procurador Miguel Nagib ameaçou processar uma mulher que acompanhava a discussão, após ser chamado de fascista.

 

Quem é contra o Escola Sem Partido defende que o projeto vai cercear o trabalho dos professores. De acordo com a diretoria estadual da APP-Sindicato, em todo o Paraná são mais de 20 mil denúncias formalizadas contra os profissionais, incluindo processos nos Conselhos de Educação e na Justiça Comum. A APP entende que essas denúncias são descontextualizadas e manipuladas por grupos políticos.

 

Para o professor da rede municipal e membro do grupo Mobiliza Londrina, Marcos Rogerio Gomes, os professores não tiveram espaço no debate. Ele reclama que o público não teve direito ao microfone.

Mas para o professor do Departamento de História da UEL, Gabriel Giannattasio, o debate foi válido.

O procurador Miguel Nagib, idealizador do Escola Sem Partido, afirma que o mérito do projeto é reunir direitos e deveres já existentes.

O Projeto de Lei que institui o Escola Sem Partido em Londrina tem autoria do vereador Filipe Barros e foi protocolado em fevereiro na Câmara. Em junho, ele retirou o projeto de pauta, após ser aprovado pela Comissão de Justiça, mesmo sem ter tido o parecer favorável da procuradoria jurídica da Casa. Filipe Barros aponta que em setembro o Escola Sem Partido deve retornar às discussões na Câmara.

 

Por Marta Ortega

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