TERCA, 05/05/2026, 15:24

Reconstituição da morte de dois jovens durante abordagem policial em 2022 é realizada depois de seis tentativas

Essa é a primeira vez que uma ação de morte que envolve a Polícia Militar acontece em Londrina. Sobrevivente também participou da reconstituição

Depois de seis remarcações, aconteceu nesta terça-feira (4) a reconstituição das mortes de Anderbal Campos Bernardo Júnior, 21 anos, e Willian Jones Faramilio da Silva, 18 anos. O local escolhido foi um barracão do Parque de Exposições Ney Braga, contrariando um pedido dos familiares, que queriam que todo o processo fosse realizado onde as mortes realmente aconteceram, na marginal da PR-445, em frente à Universidade Estadual de Londrina.

Essa é a primeira vez que uma reconstituição em decorrência de morte com ação policial acontece em Londrina. Em 2018, houve uma ação idêntica da morte de um jovem de 18 anos após abordagem da Guarda Municipal (GM)

Participaram da reconstituição os familiares das vítimas, os seis policiais acusados, sendo dois agentes do serviço de inteligência da PM e outros quatro policiais da Companhia de Choque de Londrina, advogados dos dois lados, além do delegado de homicídios de Londrina.

De acordo com Haydee Mello, tia de Willian Jones, desta vez a reconstituição vai contar com a presença do sobrevivente.

Haydee ainda afirmou que, apesar da troca do local do processo, alguns itens não estão fidedignos ao dia da ação.

A realização da prova pericial em local distinto do crime, como no caso do Ney Braga, é amparada pelo Código de Processo Penal, que permite flexibilidade quando o cenário original foi alterado ou quando há riscos à ordem pública.

O objetivo central da reconstituição permanece sendo o confronto de versões para auxiliar o convencimento da Justiça sobre a dinâmica real dos disparos. A Polícia Militar sustenta a tese de confronto armado; a família das vítimas e o sobrevivente afirmam que os jovens estavam desarmados e que a guarnição abriu fogo imediatamente após a aproximação, sem ordem de parada.

Por Paulo Andrade

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