SEGUNDA, 26/07/2021, 07:05

Situação nas lavouras do milho safrinha é “muito grave”, alerta presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho

Com quebras significativas na safra em diversos estados, principalmente aqui no Paraná, Abramilho aponta que cadeias de proteína animal, por exemplo, vão ter que importar o grão para conseguir alimentar os rebanhos.

Com as perdas registradas nos principais estados produtores do grão no país, e principalmente aqui no Paraná, por conta da estiagem histórica, da cigarrinha e do frio, a realidade do mercado do milho mudou completamente. Com a demanda crescente e a oferta menor, os preços dispararam.

E com isso, toda uma cadeia de produção, principalmente a de proteínas de origem animal, vem sofrendo com os altos valores e até para conseguir comprar o grão, insumo fundamental para a alimentação dos rebanhos.

No caso do Paraná, as últimas projeções do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura, são desanimadoras e apontam para mais de 50% de queda na produção do safrinha agora em 2021. Número que representa uma quebra recorde. A previsão inicial, de uma produção de pouco mais de 14 milhões de toneladas, despencou para pouco mais de 7 milhões.

As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento giram em torno de uma produção de quase 67 milhões de toneladas. Mas, os analistas apostam em resultados menos otimistas e falam de aproximadamente 57 milhões de toneladas, ainda sujeita a reavaliações.

O presidente Institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Milho, a Abramilho, Cesário Ramalho, diz que a situação é muito complicada, não só no Brasil. E explica que no caso do Paraná, que é produtor e grande consumidor do grão, e de Santa Catarina, ela é ainda mais preocupante.

Cesário Ramalho afirma ainda que o milho é fundamental para toda a cadeia de proteína animal e que a quebra do safrinha no país acaba causando estragos em diversos setores, da produção de carne de suínos e bovinos aos frangos, setor em que o país é o maior exportador do mundo.

Com a quebra da safra generalizada nos estados, os especialistas dizem que o país vai precisar importar milho para suprir a demanda do ano que vem.

Cesário Ramalho, fala em um 2022 complicado e diz que, apesar da previsão de aumento da produção, a demanda vai continuar crescendo e com isso os preços também devem uma alta considerável.

O cenário delicado, afirma o presidente da Abramilho, teve além dos problemas locais, como a falta de chuva, as pragas e o frio, alguns fatores externos, como a peste suína nos rebanhos da China, o que acabou desequilibrando todos os preços do mercado internacional.

Por Marcos Garrido

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