Vistoria da Câmara flagra abandono em obra do Terminal Central de Londrina
Comissão de fiscalização encontra canteiro vazio e apenas 8% do cronograma executado; prazo de entrega vence em abril, mas atraso já indica necessidade de aditivo
Uma vistoria realizada na manhã desta segunda-feira (23) pela Comissão de Administração, Serviços Públicos e Transparência da Câmara Municipal de Londrina revelou um cenário de paralisia nas obras de reforma estrutural do Terminal Central. Durante a fiscalização, os vereadores não encontraram operários ou representantes da empresa responsável no local, confirmando as queixas de usuários sobre o abandono das frentes de trabalho, especialmente na Plataforma D, que segue interditada e sem movimentação de máquinas.
O projeto, executado por uma empresa de Campo Largo, foi contratado por aproximadamente R$ 1,1 milhão com o objetivo de sanar problemas crônicos de infiltração, corrosão e desgaste do concreto. Iniciada em agosto do ano passado, a intervenção deveria ser concluída até o dia 10 de abril de 2026. No entanto, o relatório parcial da Comissão aponta que apenas 8,12% dos serviços previstos foram entregues até o momento, o que torna o cumprimento do prazo original tecnicamente inviável e sinaliza a necessidade de novos aditivos de tempo.
Além da lentidão, o vereador Chavão (Republicanos) presidente da comissão parlamentar destacou a dificuldade na obtenção de dados oficiais sobre o cronograma.
Outro ponto crítico levantado pelos vereadores é que a reforma atual foca exclusivamente na recuperação estrutural de pisos e lajes, deixando de fora a manutenção das escadas rolantes, um dos itens de acessibilidade que mais geram reclamações devido às constantes falhas mecânicas.
A ausência de trabalhadores no canteiro durante o horário comercial foi um dos principais motivos de descontentamento da equipe de fiscalização.
O impacto do atraso é direto no cotidiano da população, uma vez que o Terminal Central é o principal eixo de integração do transporte coletivo da cidade, operando 54 linhas e recebendo um fluxo médio de 88 mil passageiros diariamente. Diante da situação, os parlamentares anunciaram que protocolarão novos pedidos de informações e estudam convocar os responsáveis pela obra para prestar esclarecimentos na Câmara Municipal, não descartando a aplicação de penalidades contratuais à empreiteira pela baixa produtividade apresentada.