QUINTA, 16/04/2026, 13:32

Alface d’água volta a tomar conta do Igapó e expõe avanço da poluição

Proliferação de macrófitas reflete excesso de nutrientes e preocupa autoridades. SEMA intensifica limpeza com o auxílio de apenados do Creslon

A presença massiva de alfaces d’água no Lago Igapó voltou a acender o alerta sobre a qualidade ambiental de um dos principais cartões-postais da cidade. O fenômeno, recorrente desde o ano passado, vai além do impacto visual e revela um problema estrutural: a poluição dos cursos d’água que alimentam o lago.

O secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues, explicou que a proliferação das macrófitas está diretamente ligada ao excesso de nutrientes na água, condição geralmente associada ao despejo irregular de esgoto.

Segundo o secretário, o Ribeirão Cambé, que é a principal fonte de água do Igapó, atravessa áreas com intensa ocupação urbana, o que aumenta o risco de contaminação. A SEMA já identificou, em diferentes pontos da cidade, lançamentos clandestinos de esgoto, inclusive com autuações registradas no último ano.

Apesar de, em pequenas quantidades, as macrófitas contribuírem para o equilíbrio ambiental, o crescimento descontrolado provoca o efeito contrário, reduzindo o oxigênio dissolvido na água e prejudicando a vida aquática. Como resposta imediata, a Prefeitura intensificou a retirada das plantas, com atuação conjunta da SEMA e da CMTU. O trabalho é feito, em grande parte, de forma manual, com apoio de trabalhadores vinculados ao sistema prisional.

As ações se concentram em pontos estratégicos do lago, onde as plantas se acumulam devido à ação do vento e da correnteza. Ainda assim, não há prazo definido para conclusão dos serviços, já que o problema tende a se repetir enquanto persistirem as causas estruturais.

Dados recentes de monitoramento reforçam a preocupação. De acordo com o secretário, o Índice de Qualidade da Água (IQA) apresenta piora, indicando um cenário mais crítico do que em anos anteriores. Diante disso, a SEMA pretende ampliar a fiscalização ambiental e reforçar o quadro de fiscais.

Por Paulo Andrade

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