Após sete anos e oito adiamentos, júri popular do caso Eduarda Shigematsu é realizado em Maringá
Pai e avó da menina, morta aos 11 anos em Rolândia em abril de 2019, serão julgados em sessão que pode durar três dias
O júri popular do caso Eduarda Shigematsu, um dos mais emblemáticos da história criminal do estado, começou a ser realizado nesta quarta-feira (16), em Maringá. O julgamento ocorre sete anos após o crime e depois de oito adiamentos. No banco dos réus, Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia, pai e avó de Eduarda, morta aos 11 anos, em Rolândia, em abril de 2019.
O homem, preso desde a época do crime, chegou sob escolta policial no Fórum Criminal de Maringá, pouco antes das 8h. Já Terezinha não está presa, mas deverá ser interrogada durante a sessão. Eles são acusados de matar e ocultar o cadáver de Eduarda. Segundo as investigações, Seidi teria matado a própria filha asfixiada, na casa onde ela morava com a avó, e enterrado o corpo dela nos fundos de uma outra residência de propriedade dele. Terezinha é acusada de ser cúmplice do filho. Seidi nega ter matado Eduarda e disse que a menina tirou a própria vida. Ele admite, entretanto, que enterrou o corpo da menina. A avó, por sua vez, nega as acusações e garante que não sabia do crime.
O julgamento do caso foi marcado por uma verdadeira batalha de recursos e decisões da própria Justiça que foram adiando a realização da sessão ao longo dos últimos anos. Os primeiros cancelamentos ocorreram para a transferência da sessão de Rolândia para Londrina e, posteriormente, para Maringá, para atender a um pedido dos advogados de Seidi por imparcialidade. Já os últimos adiamentos foram feitos pela própria Justiça, que alegou não ter um magistrado escalado para presidir o júri. A juíza substituta Maria de Lourdes Araújo assumiu a Vara Criminal no mês passado e vai ser a responsável por comandar os trabalhos.
Doze testemunhas de defesa e de acusação vão ser ouvidas no júri popular. Os dois réus também serão interrogados. A sessão pode durar três ou mais dias.
O advogado Mauro Valdevino, que representa Terezinha Guinaia, informou, em nota, que a defesa está tranquila para o julgamento, confiando na absolvição dela "por tudo o que já foi produzido nos autos na 1ª fase do julgamento", quando, segundo ele, teria havido a impronúncia da acusada.
Já Roberto Ekuni, advogado de Ricardo, disse, também em nota, que confia "em um julgamento técnico, calcado na análise cuidadosa das provas produzidas nos autos". Ainda conforme o comunicado, "as teses defensivas estão amparadas em laudos periciais, no exame crítico da prova técnica e em contradições relevantes identificadas na investigação".
Jessica Pires, mãe de Eduarda Shigematsu, chegou ao Fórum de Maringá, por volta das 8h30, acompanhada do marido e outros familiares. Ela trajava uma camiseta com uma foto da filha na parte da frente e com os dizeres "Justiça pela Duda" na parte de trás. Também carregava uma manta de quando a filha era bebê. Ela pretende acompanhar toda a sessão. Na época do crime, a guarda de Eduarda era da avó paterna.
Hugo Esteves, advogado de Jessica e assistente de acusação no caso, criticou a tramitação muito longa do processo e os "sucessivos adiamentos", destacando que a família materna da menina "espera há mais de sete anos para que as provas possam finalmente ser apreciadas pelo Conselho de Sentença e para que o caso tenha uma resposta da Justiça".
O advogado destacou, ainda, que o trabalho da acusação "reúne um conjunto probatório bastante extenso, com provas técnicas, documentais, periciais e testemunhais", com o objetivo de "apresentar aos jurados aquilo que foi produzido nos autos para que possam formar sua convicção".