Áudios levam MP a investigar suposto esquema de repasse de salários em gabinete do vereador Valdir Santa Fé
Diálogos entre pai e filha indicam possível prática de “rachadinha”, cobrança de valores mensais e interferência política em cargos comissionados
A 26ª Promotoria de Justiça de Londrina do Ministério Público do Paraná, começou uma investigação contra o vereador Valdir Santa Fé (PP) por possível esquema de rachadinha.
Áudios obtidos revelam indícios de um possível esquema de repasse de salários dentro do gabinete do parlamentar. Nas gravações, um homem identificado como empresário ligado ao vereador conversa com a filha sobre valores mensais que deveriam ser entregues a ele em troca da manutenção de um cargo comissionado.
Em um dos trechos, o empresário afirma diretamente que há cobrança periódica de dinheiro. A fala sugere a existência de um acordo financeiro envolvendo servidores do gabinete.
Durante a conversa, ele também menciona que a permanência da filha no cargo estaria condicionada ao repasse de valores, além de indicar que outras pessoas poderiam assumir a função mediante pagamento.
Além das questões financeiras, o conteúdo também mostra pressão psicológica e ameaça de exoneração. O empresário orienta a filha a procurar outro emprego e afirma que a decisão sobre a permanência dela não depende mais dele, mas do responsável pelo gabinete.
O vereador Valdir Santa Fé se diz surpreso com a investigação e afirma que ainda não foi procurado pelo Ministério Público. O parlamentar ainda nega qualquer tipo de suporte do empresário em relação à campanha eleitoral de 2024.
Em relação a citação dos assessores do seu gabinete durante as conversas entre o empresário e a filha, Santa Fé afirma que não pode falar por eles, e que a cobrança de dinheiro entre pai e filha seria referente a venda de um veículo.
O parlamentar ainda não foi procurado, mas se coloca à disposição da promotoria.
O material está sob análise do Ministério Público e pode embasar investigações sobre práticas ilegais na administração pública, como a chamada “rachadinha”, caracterizada pela exigência de devolução de parte do salário de servidores.