SEGUNDA, 29/06/2026, 07:00

Câmara dividida salva Anne Ada da cassação sob clima de desconfiança

Para o cientista político Elve Censi, ela volta fortalecida por ter sobrevivido ao julgamento, mas encontrará um ambiente complexo

A Câmara Municipal de Londrina decidiu, na última sexta-feira (26), manter o mandato da vereadora Anne Ada (Avante). Ela era acusada de quebra de decoro parlamentar. Embora a Comissão Processante (CP) tenha pedido a cassação da vereadora por unanimidade, o plenário rejeitou a punição: foram 11 votos a favor da perda do mandato, 6 contra e uma abstenção. Como eram necessários 13 votos para cassar, o processo foi arquivado.

Para o professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Censi, o resultado expõe uma Câmara dividida e um forte receio dos próprios parlamentares com o futuro de seus mandatos.

Segundo o especialista, o relatório da comissão tinha base jurídica sólida, mas o voto em plenário é uma decisão essencialmente política. Censi avalia que muitos vereadores votaram para salvar Anne Ada por medo de abrir um precedente perigoso.
Anne Ada, que está de licença médica até o final de junho, deve retornar ao trabalho em julho. De acordo com Censi, ela volta fortalecida por ter sobrevivido ao julgamento, mas encontrará um ambiente complexo. O professor prevê dificuldades para a aprovação de projetos na Casa, já que a base aliada se fragmentou.
Por fim, o professor lembra que processos de cassação reabrem feridas antigas no eleitorado londrinense, historicamente marcado por escândalos políticos e operações do Ministério Público no passado.

Para Censi, a população está cansada de escândalos e exige uma postura diferente dos parlamentares, especialmente de olho nas próximas eleições.
Por outro lado, o presidente da CML, vereador Emanoel Gomes, baseou sua decisão na ausência de danos ao erário público, critério que considerou crucial. O parlamentar também destacou a flexibilidade da carga horária dos servidores comissionados e argumentou que as provas apresentadas pela comissão são insuficientes para justificar a cassação do mandato, a penalidade mais extrema do Legislativo.

Por João Gabriel Rodrigues

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