Casos de doença de Newcastle em Santa Catarina colocam Paraná em alerta
Adapar reforça fiscalização e monitoramento de aves para evitar a disseminação do vírus e possíveis restrições às exportações
A confirmação de dois casos da doença de Newcastle em granjas de perus no Oeste de Santa Catarina acendeu o alerta sanitário no Paraná. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) intensificou a fiscalização do transporte de aves e o monitoramento das propriedades rurais para evitar a entrada do vírus no estado, que lidera a produção e a exportação de carne de frango no Brasil.
A doença de Newcastle é uma infecção viral que afeta aves e pode causar problemas respiratórios, alterações neurológicas e mortes. Segundo o chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, os casos catarinenses foram identificados por meio de vigilância sanitária, antes mesmo do aparecimento de sintomas.
No Paraná, não há casos confirmados nem suspeitas da doença. O estado mantém um programa de vigilância ativa, com coleta de amostras em propriedades comerciais e de subsistência. A fiscalização também foi reforçada nas divisas estaduais, com verificação da documentação sanitária e das condições de transporte das aves.
A preocupação vai além da saúde dos animais. A ocorrência de focos pode provocar restrições comerciais impostas por países importadores. Segundo Dias, as exportações brasileiras já enfrentam limitações para alguns mercados, conforme os acordos sanitários de cada país.
O Paraná produziu cerca de 5 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e exportou 2,05 milhões de toneladas, movimentando US$ 3,53 bilhões. Por isso, a prevenção é considerada fundamental para proteger a atividade econômica e manter o acesso aos mercados internacionais.
A Adapar orienta os produtores a reforçar a biosseguridade nas granjas, impedindo o contato das aves comerciais com pássaros silvestres e restringindo a entrada de pessoas e veículos. Também é necessário observar mudanças no comportamento dos animais, redução no consumo de água e ração, dificuldade de locomoção, sinais respiratórios e aumento da mortalidade.
A agência ressalta que ovos e carne de frango são seguros para consumo. A orientação é comunicar imediatamente qualquer suspeita ao Serviço Veterinário Oficial para que as medidas de investigação e controle sejam adotadas.