Com salto de 560%, apreensão de medicamentos ilegais bate R$ 6 milhões em Londrina
Impulsionado pela febre das "canetas emagrecedoras", o contrabando acende um grave alerta de saúde pública devido às condições precárias de transporte. Londrina já é a segunda cidade do Paraná com mais confiscos
A apreensão de medicamentos contrabandeados explodiu em Londrina, impulsionada principalmente pela alta procura pelas chamadas canetas emagrecedoras. Apenas neste ano, a Receita Federal já retirou de circulação cerca de R$ 6 milhões em remédios ilegais na cidade.
Segundo o delegado da Receita Federal, Marcelo Ross, o número representa um salto alarmante de mais de 560% em relação ao ano passado, quando as apreensões não chegaram a R$ 1 milhão.
A falta de liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz com que esses produtos sejam enquadrados como contrabando, e não como mero descaminho. Ele explica que isso configura um crime por envolver mercadorias cuja venda é estritamente proibida no país.
O maior motivo de preocupação das autoridades é o risco direto à saúde pública. Para burlar a fiscalização, os contrabandistas transportam esses medicamentos de forma extremamente precária. Há casos recentes de grandes cargas encontradas escondidas no fundo falso da carroceria de veículos, sofrendo com o calor excessivo, o atrito e a total falta de refrigeração e higiene.
Esse volume expressivo de confiscos reflete a posição geográfica estratégica da região. Londrina funciona hoje como uma das principais rotas do tráfico e do contrabando em direção ao estado de São Paulo, o que a torna a segunda cidade que mais apreende mercadorias ilegais no Paraná, ficando atrás apenas de Foz do Iguaçu, na fronteira. O resultado expressivo nas interceptações é fruto de um forte trabalho de inteligência e da integração entre forças de segurança, como a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Polícia Federal e a própria Receita Federal.
Com o aumento vertiginoso das apreensões, surge também um desafio logístico e ambiental: o descarte adequado desse material. Diferente de cigarros, que viram adubo por meio de máquinas específicas, os medicamentos exigem um cuidado sanitário rigoroso para não contaminar o meio ambiente.
Para resolver isso, a Receita Federal está firmando parcerias com universidades locais para desenvolver métodos de destruição seguros. Mesmo com a possibilidade de uma futura liberação ou nacionalização de alguns desses compostos emagrecedores, as autoridades alertam que a busca pelo menor preço no país vizinho ainda poderá alimentar o mercado paralelo, perpetuando o transporte inadequado e o risco iminente à saúde dos consumidores.