Duplicação de rodovia no norte pioneiro revela sítios arqueológicos com porcelanas do século 19
Obras recebem acompanhamento de equipes de arqueologia a pedido do Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
As obras de duplicação da BR-153, entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, no norte pioneiro do estado, revelaram locais que podem ajudar a contar a história da região. A pedido do Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a concessionária EPR Litoral Pioneiro, responsável pelas obras, tem feito o acompanhamento arqueológico do local que recebe os trabalhos. Até o momento, cinco sítios arqueológicos foram descobertos pelas equipes na altura dos quilômetros 7, 22 e 23 da rodovia, em Jacarezinho. Em quatro dos sítios, foram encontrados fragmentos de louças, porcelanas e vidros que remetem ao final do século 19.
Apesar de fragmentadas, as peças podem ajudar a entender os hábitos das pessoas que viviam no norte-paranaense naquela época. As cerâmicas trazem características europeias, o que valida a presença de imigrantes do velho continente na região. Entre o final do século 19 e o início do 20, as famílias vieram de São Paulo, impulsionadas, principalmente, pela expansão do cultivo do café no Paraná. Quem explica é a coordenadora de Sustentabilidade da EPR Litoral Pioneiro, Cassia Padilha.
A descoberta do material na área também indicaria que o atual trecho da BR-153 pode ter sido implantado sobre um antigo caminho utilizado para o deslocamento de pessoas e animais no século retrasado, conforme destacou o coordenador do projeto de salvamento arqueológico, Filipe Coelho. Ele também falou sobre a importância do acompanhamento por parte das equipes para que a duplicação da rodovia seja realizada ao mesmo tempo em que a história da região é preservada.
Para confirmar a origem e a idade das peças, os especialistas vão compará-las com objetos arqueológicos já catalogados. Mapas e documentos históricos também serão checados. Depois disso, o material será encaminhado para a Universidade Estadual de Maringá (UEM) para o devido tombamento.
Já o quinto sítio arqueológico descoberto diz respeito à chamada Pedra Criminosa, também em Jacarezinho. De acordo com a coordenadora de sustentabilidade da concessionária, o local apresenta pinturas rupestres que remetem a tempos ainda mais antigos.
A concessionária garante que o trabalho de preservação não vai comprometer o cronograma das obras de duplicação.