Em menos de 10 dias, Norte do Paraná registra série de casos brutais de violência contra mulheres
Tentativas de feminicídio, espancamentos, cárcere privado, ameaças de morte e um assassinato acendem alerta sobre a escalada da violência de gênero na região
Nos últimos dias, uma sequência de casos de violência contra mulheres foi registrada em diversas cidades do Norte do Paraná. Foram pelo menos oito ocorrências dos mais variados crimes, mas todos eles tiveram mulheres como alvo.
Em Nova Santa Bárbara, cidade que fica a 78 km de Londrina, um homem de 61 anos foi preso após tentar matar a esposa, de 40, enquanto ela dormia. Segundo a Polícia Militar, ele tentou asfixiá-la com as mãos e a ameaçou com um facão. Já em Santa Mariana, Janaína de Souza Oliveira, de 28 anos, foi morta a facadas dentro de uma igreja. A vítima tentou fugir do agressor e pedir ajuda aos fiéis.
Em Congonhinhas, uma mulher de 29 anos foi brutalmente agredida pelo marido depois de uma discussão durante o jogo da Seleção Brasileira. O suspeito foi preso em flagrante. Em Arapongas, uma mulher foi espancada pelo companheiro depois de ser acusada de traição por ciúmes. Ferida, ela foi socorrida pelo Samu, enquanto o agressor fugiu e segue sendo procurado.
Na última terça-feira (30), na cidade de Bandeirantes, uma mulher foi queimada pelo marido após ele se irritar ao vê-la com as unhas pintadas de vermelho. Segundo a vítima, o homem jogou acetona em seu corpo, ateou fogo e a manteve em cárcere privado até que ela conseguiu escapar. No mesmo dia, em Congonhinhas, um homem de 61 anos foi preso após ameaçar matar a esposa, de 63 anos. A vítima precisou se esconder em um canavial para não morrer. A PM apreendeu uma espingarda e diversas munições na residência do casal.
Um homem de 21 anos foi preso em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após invadir a casa da ex-companheira e agredi-la brutalmente, em Jacarezinho. A vítima sofreu uma lesão profunda na mão ao tentar se defender de um ataque com faca. Neste fim de semana, uma mulher precisou acionar a PM em Apucarana depois de o ex-companheiro descumprir a medida protetiva.
Cecília França, jornalista voluntária do Observatório de Feminicídios de Londrina (NEAS), classificou como "estarrecedora" a sequência de casos de violência contra mulheres registrados em apenas 10 dias no Norte do Paraná. Segundo ela, embora o Estado já apresente índices elevados de feminicídio, a concentração de ocorrências em tão pouco tempo foge do padrão e reforça a necessidade de ampliar a prevenção e o reconhecimento desses crimes.
Cecília destacou que o feminicídio passou a ser um crime autônomo, o que já tem se refletido em penas mais severas nos julgamentos. Ela defendeu, ainda, que casos marcados por extrema crueldade sejam investigados, desde o início, como tentativa de feminicídio, evitando a subnotificação e a invisibilização da violência de gênero.
Por fim, a representante do NEAS ressaltou que a prioridade deve ser impedir que mulheres sejam assassinadas. Para isso, cobrou o fortalecimento das políticas públicas, com a ampliação de delegacias especializadas, CRAMs, casas-abrigo e patrulhas Maria da Penha, principalmente nos municípios menores.
Vale lembrar que, em casos de agressão, o passo mais importante é buscar proteção imediata e colocar-se em um local seguro. Caso haja risco iminente à integridade física ou à própria vida, ligue imediatamente para a Polícia Militar, pelo número 190, ou para a Guarda Municipal, pelo telefone 153.