Falha em plano de demolição causou morte de operário no Centro, diz Polícia Científica
Laudo aponta que empresa de Curitiba não isolou área de risco e que engenheiro responsável estava ausente no momento do desabamento; caso segue para a Polícia Civil
A Polícia Científica concluiu o laudo sobre o desabamento parcial que matou o operário Valdir Avelino, de 51 anos, no final de março deste ano, no centro de Londrina. O acidente aconteceu na esquina da Rua Hugo Cabral com a Avenida Paraná, no terreno de uma antiga concessionária de veículos.
Após meses analisando os documentos da obra, os peritos apontaram que a empresa de engenharia responsável pela demolição, que tem sede em Curitiba, falhou no planejamento dos trabalhos. Segundo a perícia, o projeto apresentado pela construtora ignorou critérios básicos e obrigatórios de segurança, como o isolamento adequado do local e a sinalização das áreas de risco.
O chefe da Polícia Científica, Luciano Bucharles, explicou que o plano de demolição continha pouquíssimas informações sobre como proteger o perímetro. Quando a equipe técnica chegou ao local logo após o acidente, constatou que não havia nenhuma barreira ou aviso na área onde o serviço era executado.
Por ser uma atividade de alto risco, era obrigatório delimitar onde as máquinas pesadas poderiam se movimentar e onde as pessoas poderiam circular. Como essa sinalização não existia, a vítima acabou ficando em um ponto vulnerável. Além disso, a perícia destacou outra irregularidade grave: o engenheiro responsável pela obra não estava presente no momento do acidente, descumprindo uma exigência legal.
No dia do ocorrido, Valdir estava orientando o operador de uma máquina pesada que trabalhava em cima de uma laje. A estrutura não suportou o peso e cedeu, atingindo o operário, que não resistiu aos ferimentos.
Agora, o documento técnico será encaminhado para a Polícia Civil de Londrina, que é o órgão competente para determinar formalmente as responsabilidades criminais. O delegado do caso utilizará o laudo para realizar novas investigações e, ao final do inquérito, indiciar os culpados.
Atualmente, os escombros da antiga concessionária já foram totalmente removidos e o terreno passa por obras para receber um novo empreendimento.