SEGUNDA, 22/06/2026, 12:21

Feminicídios cometidos com fogo crescem 77% em três anos: dois casos vão a julgamento em Londrina

Levantamento feito pelo Observatório Néias aponta que dos 512 crimes analisados no país, em 220 os agressores atearam fogo nas vítimas. Segundo o estudo, prática cruel é usada para eliminar provas e culpar a vítima

Dois homens acusados de atear fogo nas companheiras para tentar matá-las serão julgados em Londrina nos próximos dias. O primeiro júri ocorre nesta terça-feira (23). No banco dos réus, Alexey Gabriel Caetano, de 27 anos, acusado de incendiar a casa onde a vítima dormia, no conjunto União da Vitória, na zona sul, em julho do ano passado. O outro julgamento está marcado para o próximo dia 30, quando Anderson Adelino de Freitas, de 42 anos, será julgado por, supostamente, jogar álcool no corpo da companheira e, posteriormente, usar uma bituca de cigarro para incendiá-la. A tentativa de feminicídio foi registrada em novembro de 2024 no bairro Aeroporto. Felizmente, nos dois casos, as vítimas conseguiram sobreviver.

Os dois júris serão acompanhados de perto pelo Observatório Néias. A ideia, conforme a pesquisadora Silvana Mariano, integrante da entidade, é fazer com que os casos voltem a ter repercussão, e também cobrar que os acusados sejam condenados pelos crimes.

A coincidência entre os dois crimes não passou batido pelo observatório, que já havia percebido um aumento no número de casos em que os agressores usaram fogo para atentar contra a vida das mulheres. A percepção foi confirmada por um estudo feito pelo Néias em parceria com o Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). O informe reuniu 512 casos registrados em todo o país entre 2023 e o ano passado. O número de ocorrências com o uso de fogo cresceu 77% no período. Do total de crimes apurados, em 220 a prática foi adotada pelos agressores, e em mais de 46% deles o ato terminou na morte das vítimas. Silvana Mariano disse que a prática é cruel e reforça a sensação de posse que o agressor tem sobre o corpo da vítima.

Além disso, conforme ela, o ataque com o uso do fogo é empregado pelo agressor para que provas sejam eliminadas do local do crime.

Em muitos casos, de acordo com Silvana, o acusado também tenta culpar a vítima, citando que ela própria foi a responsável pelo incêndio.

Por Guilherme Batista

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