Falta de juiz adia júri popular do caso Eduarda Shigematsu pela oitava vez
Magistrada que ficaria responsável pela sessão, na próxima semana, em Maringá, pediu transferência e ainda não foi substituída. Nova data só será marcada após nomeação de novo juiz
O júri popular do caso Eduarda Shigematsu foi adiado pela oitava vez pela Justiça. A sessão, que estava marcada para ocorrer na próxima terça-feira, dia 4 de agosto, em Maringá, ainda não foi reagendada. Dessa vez, o cancelamento foi provocado pela falta de juiz para ministrar a sessão. A magistrada até então escalada pediu transferência para uma outra comarca e ainda não foi substituída. O julgamento só vai ganhar uma data depois que houver a nomeação de um novo juiz. Ainda não há prazo para que isso ocorra.
O sétimo adiamento do júri, em junho, também havia sido provocado pela própria Justiça, que, na época, levou em conta a provável necessidade de dois dias para a realização da sessão.
Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia, pai e avó da menina Eduarda, respectivamente, são acusados de matar e ocultar o cadáver da criança, morta aos onze anos, em Rolândia, em abril de 2019. Segundo as investigações, Seidi teria matado a própria filha asfixiada na casa onde ela morava com a avó, e enterrado o corpo dela nos fundos de uma outra residência de propriedade dele. Já Terezinha é acusada de ser cúmplice do filho. Seidi nega ter matado Eduarda e disse que a menina tirou a própria vida. Ele admite, entretanto, que enterrou o corpo da menina. A avó, por sua vez, nega as acusações e garante que não sabia do crime.
A defesa de Ricardo Seidi criticou o novo adiamento e disse que, desde que o caso foi transferido para Maringá, a sessão foi cancelada por quatro vezes. De acordo com os advogados, "o que deveria ser exceção tornou-se um padrão". A nota destaca que a comarca de Maringá conta com juízes competentes para ministrar a sessão e que o problema é a falta de estrutura. Diante da elevada demanda de julgamentos, segundo a defesa, "a distribuição dos feitos entre os magistrados é feita por sorteio, e o processo de Ricardo acabou vinculado a uma titularidade em que os juízes têm permanecido por pouco tempo antes de serem removidos ou realocados". A nota reforça ainda que nenhum dos adiamentos foi provocado pela defesa de Ricardo, que espera que o "julgamento se realize de forma válida e no menor tempo possível". Os advogados lembraram que o pai de Eduarda está preso há mais de sete anos, e garantiram que devem tomar as providências cabíveis para garantir que ele tenha direito a um "julgamento justo, imparcial e em prazo razoável".
Ricardo responde por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Já Terezinha responde por ocultação de cadáver. Ele segue preso na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). A avó passou dois meses detida, mas foi solta e, desde então, responde à acusação em liberdade.