Justiça Federal dá 30 dias para que indígenas desocupem fazenda em Tamarana
Grupo está no local há quase dez anos, sob o argumento de que terras fazem parte da Reserva Apucaraninha. Clima ficou tenso na última semana e polícia precisou intervir
Segue indefinida a disputa legal entre indígenas e um fazendeiro de Tamarana, que teve parte da propriedade ocupada há quase dez anos. O imbróglio ganhou um novo capítulo na última semana, depois de uma decisão judicial estabelecer que o grupo teria um mês para deixar o local.
Na última quarta (6), os indígenas deram 48 horas para a desocupação do barracão dos maquinários. O prazo venceu na última sexta-feira (8), quando o clima ficou tenso, com o grupo ameaçando atear fogo no espaço, conforme destacou o advogado do fazendeiro, Rodolfo Ciciliato. O produtor rural registrou um boletim de ocorrência e a Polícia Militar (PM) precisou intervir para evitar possíveis conflitos.
O advogado disse que os indígenas sempre aumentam o tom de tensão quando são contrariados na esfera judicial. Ele relatou que os funcionários da fazenda vivem sendo ameaçados, e que, apesar das "boas intenções" do proprietário, não há como chegar a um acordo amigável.
Os indígenas ocuparam a fazenda em 2017, sob o argumento de que os 800 hectares da propriedade rural pertencem à Reserva Apucaraninha. Eles citam uma demarcação feita pelo Estado em 1955 e dizem ter uma escritura pública com a doação da área. O advogado do fazendeiro, por sua vez, garantiu que a propriedade é privada e que há inclusive um levantamento do IAT, Instituto Água e Terra, comprovando isso.
Pela decisão da 3ª Vara Federal de Londrina, os indígenas têm até o dia 5 de junho para desocupar a fazenda. O grupo promete recorrer junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Nós tentamos contato com a liderança dos indígenas nesta segunda-feira (11), mas não obtivemos retorno até o fechamento desta reportagem. O advogado do fazendeiro espera que a decisão judicial seja cumprida, mesmo se houver a necessidade do uso da força policial.