SáBADO, 23/09/2017, 10:17

Justiça Federal realiza Audiência de Conciliação em busca de solução para o impasse entre índios da Reserva Apucaraninha e fazendeiro de Tamarana

Depois de uma longa negociação, se chegou a um acordo para que os indígenas desocupem a sede da fazenda, mas a discussão sobre a demarcação das terras dos índios parece longe do fim.

A Audiência na justiça federal durou mais de quatro horas e teve a participação de representantes da FUNAI, Ministério Público, Advocacia Geral da União, Governo do Estado, índios e do dono da fazenda.  A imprensa não teve acesso à reunião que buscava o fim do impasse criado com a ocupação da sede da fazenda Tamarana, pelos índios Kaingáng, da reserva Apucaraninha.

Enquanto a Audiência era realizada na 3ª Vara da Justiça Federal, do lado de fora cerca de 30 índios, vestidos a caráter, entoavam cantos de guerra e dançavam, mas o clima no fórum foi de tranquilidade durante toda a tarde.

Por volta das 15:30 hrs, a audiência, conduzida pelo juiz Bruno Henrique Santos, foi interrompida para um rápido intervalo. E retomada minutos depois. Surgiu uma proposta para que os indígenas deixassem a sede da fazenda e fossem para outra área da propriedade. E quando parecia que sairia uma solução para o impasse, um detalhe emperrou as negociações. Os índios queriam plantar nessa área. Não houve acordo. E as negociações seguiram. Do lado de fora, os índios continuavam cantando e dançando.

Por volta das 18:30 hrs, se chegou a um acordo. Os Kaingáng concordaram em sair da sede da fazenda e permanecer nessa outra área de 70 alqueires, por noventa dias, até que seja feita uma nova medição pela FUNAI. Segundo o cacique Natalino Marcolino, a saída dos índios da fazenda ficou acertada para este sábado. E eles não poderão plantar nada no local.

A área foi invadida no dia 12 de setembro e o pedido de reintegração de posse foi feito à justiça federal dois dias depois. Na saída da audiência o dono da fazenda Tamarana, Eucler Ferreira, se mostrou resignado. E criticou a FUNAI pela demora. O fazendeiro disse não ter ficado satisfeito, e que cedeu para tentar resolver a situação de uma forma pacífica.

O assessor para assunto Fundiários do Governo do Estado, Hamilton Serighelli, afirmou que na próxima quinta-feira, um procurador vai a Brasília para uma audiência com o presidente da FUNAI para tentar definir a questão.

Os Kaingáng dizem que houve um erro na demarcação das terras e que teriam perdido mais de 600 hectares.  O chefe da FUNAI aqui na região, Marcos César Cavalheiro, confirmou à reportagem da CBN Londrina a divergência entre duas medições feitas na área. Uma delas nos anos 1950 e outra realizada em 2015 pelo Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná.

Por Marcos Garrido

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