Londrina tem 521 pessoas desaparecidas e participa de mobilização para coleta de DNA
Material genético de familiares ajuda a identificar desaparecidos e pode encerrar casos que permanecem sem resposta por anos
A Polícia Científica de Londrina participa da Mobilização Nacional de Coleta de DNA para ajudar na identificação de pessoas desaparecidas. Segundo o chefe do Instituto de Criminalística de Londrina, Luciano Bucharles, em entrevista à Rádio CBN Londrina, a coleta de material genético de familiares é realizada durante todo o ano e não apenas no período da campanha. Atualmente, Londrina tem 521 pessoas registradas como desaparecidas.
O DNA coletado de pais, irmãos ou outros familiares pode ser comparado com materiais genéticos de pessoas que morreram sem identificação, foram sepultadas como desconhecidas ou estão em unidades policiais e prisionais de outros estados.
O objetivo é encontrar possíveis vínculos de parentesco e ajudar as famílias a descobrir o paradeiro do desaparecido. Bucharles explica que a iniciativa não tem como finalidade alimentar bancos de dados para investigações criminais. O material é utilizado exclusivamente na busca por pessoas desaparecidas.
A coleta é rápida e indolor, feita por meio da mucosa da boca, sem necessidade de retirar sangue. O procedimento é realizado com agendamento prévio e é necessário apresentar documentos. Por isso, a orientação é que os familiares entrem em contato antes com a unidade da Polícia Científica de Londrina pelo telefone (43) 3343-5002 para receber as informações sobre a documentação e marcar o atendimento.
De acordo com Bucharles, o número de desaparecidos ainda é considerado alto e parte dos casos pode estar relacionada à violência. Apesar da redução de diversos índices de criminalidade no Paraná nos últimos anos, o país ainda registra números elevados de violência e de pessoas desaparecidas.
O chefe do Instituto de Criminalística reforça que quem não conseguir participar da mobilização neste momento pode procurar a Polícia Científica posteriormente, já que as coletas são realizadas durante todo o ano. Para as famílias, a identificação pode representar o fim de uma espera que, em muitos casos, dura anos.