TERCA, 18/08/2026, 12:32

Moradores questionam "abandono" do centro e dizem que lojas fechadas são ocupadas por empresa indiana

Coletivo diz que multinacional gera mais de 1.500 empregos na região e garante que não há 31 imóveis desocupados na rua Sergipe

O Coletivo de Moradores do Centro de Londrina emitiu um posicionamento público, nesta terça-feira (18), questionando a informação relacionada às lojas fechadas na rua Sergipe, entre as ruas Professor João Cândido e Pernambuco, na área central da cidade. Um levantamento divulgado pela empresa Urbanix, especializada em inteligência territorial, dava conta de 31 estabelecimentos desocupados no trecho.

No entanto, de acordo com o coletivo, os locais, que aparentam estar fechados, são atualmente alugados para a empresa Tata, multinacional indiana de tecnologia que possui atividades em Londrina desde 2018. A entrada da empresa é pela rua Pernambuco, mas, conforme os moradores, as instalações estão espalhadas por todo o quarteirão. Tanto é que, atualmente, a multinacional é responsável por gerar mais de 1.500 empregos.

De acordo com o integrante do coletivo, Amir Rafih, que possui imóveis e negócios no centro há quase 35 anos, a região continua mais viva do que nunca.

O morador garantiu que a Sergipe continua sendo um importante corredor comercial da cidade, concentrando atividades de lojas e empresas de diversos segmentos comerciais.

Por outro lado, ele reconheceu que, em algumas regiões, imóveis abandonados têm sido um problema, inclusive por dar moradia a usuários de drogas e moradores de rua. Ele citou como exemplo um espaço localizado na rua Benjamin Constant, que está fechado há mais de 30 anos.

A Urbanix esclarece que o estudo territorial realizado sobre a Rua Sergipe é um estudo técnico, baseado em dados, e não afirmou que existam 31 imóveis vazios ou abandonados no corredor. O número de 31 corresponde a lojas fechadas reportadas em 2026 durante o levantamento e foi apresentado com ressalva metodológica: esse dado não poderia ser convertido em taxa de vacância sem a verificação física, imóvel por imóvel, da situação de cada fachada e de seus respectivos usos.

Essa distinção é importante porque uma fachada sem acesso comercial pela Rua Sergipe não significa necessariamente que o imóvel esteja desocupado. O espaço pode integrar uma operação empresarial com entrada por outro logradouro, ter uso administrativo ou operacional, ocupar outros pavimentos ou estar parcialmente utilizado. O próprio estudo recomenda um inventário físico para identificar a situação efetiva de cada imóvel.

Os dados levantados pela Urbanix, aliás, não apontam para um Centro abandonado, como foi abordado na primeira matéria da Rádio CBN. A área de influência de 500 metros da Rua Sergipe reúne aproximadamente 11,6 mil moradores, 4,7 mil domicílios e 1.910 empresas com CNPJs ativos. No próprio logradouro, foram identificados 305 CNPJs ativos. O diagnóstico mostra uma região com forte presença populacional e empresarial e afirma expressamente que “o Centro não está vazio”.

A discussão proposta pela Urbanix é justamente sobre como aproveitar melhor essa estrutura já existente. Informações adicionais, como a ocupação de imóveis por empresas com acesso por outras ruas, são importantes e devem ser incorporadas ao diagnóstico. Elas não contradizem o estudo; ajudam a qualificá-lo. A proposta da Urbanix é transformar essas informações em um mapa mais preciso de ocupação, usos e oportunidades para a Rua Sergipe, separando fachadas aparentemente inativas de imóveis efetivamente vazios e identificando caminhos para a revitalização econômica e urbana da região.

Por Guilherme Batista

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