MP denuncia oito pessoas por tortura, cárcere privado e falsificação em clínica de reabilitação em Londrina
Investigação aponta internações involuntárias, uso irregular de medicamentos, receitas fraudadas e prática de “resgate social” forçado dentro da instituição
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou oito pessoas investigadas por supostas irregularidades em uma clínica de reabilitação em Londrina. Entre os denunciados estão o proprietário da unidade, a esposa dele e outros seis envolvidos na administração e funcionamento da instituição.
As investigações começaram em abril deste ano, depois de uma vistoria realizada no local, que revelou indícios de maus-tratos, internações involuntárias e possíveis crimes relacionados ao funcionamento da clínica.
Segundo a promotora Susana de Lacerda, a denúncia foi construída com base em depoimentos de internos, familiares, profissionais da saúde, documentos apreendidos e relatórios técnicos produzidos durante a apuração.
Além dos crimes de tortura e cárcere privado já identificados no início das investigações, também foram constatados indícios de falsidade documental, exercício ilegal da medicina e uso irregular de medicamentos controlados.
Durante a operação que investigou a clínica, seis pessoas chegaram a ser presas preventivamente. Parte dos investigados acabou liberada posteriormente, mas o proprietário da clínica segue foragido e com mandado de prisão em aberto. A esposa dele e um coordenador da instituição permanecem presos.
As investigações apontam que alguns pacientes eram levados à força para a instituição por meio de um procedimento chamado de “resgate social”, realizado por pessoas sem habilitação técnica e utilizando métodos considerados ilegais.
O Ministério Público também afirmou que familiares dos pacientes, em muitos casos, desconheciam as condições reais enfrentadas pelos internos. Segundo a promotora, havia um esquema para impedir visitas frequentes e controlar a comunicação com os pacientes.
Entre os crimes atribuídos aos denunciados estão tortura, cárcere privado, falsidade documental, exercício ilegal da medicina e infrações relacionadas ao uso e administração irregular de medicamentos controlados. O caso segue em tramitação na Justiça.