SEGUNDA, 08/03/2021, 19:46

Na semana em que completamos um ano de pandemia, a CBN Londrina traz uma série de reportagens sobre a crise sanitária que mudou a vida de todo o mundo

E para iniciar a série, uma reportagem sobre “A politização da pandemia” e como ela vem influenciando nos rumos dessa crise.

Na próxima quinta-feira, 11 de março, completamos um ano da decretação da pandemia pela OMS. Foram doze meses de uma crise sanitária sem precedentes na história da humanidade, que atingiu, em cheio, a economia e a vida das pessoas. Não bastassem os milhões de infectados e mortos pelo Mundo e o desafio de enfrentar um vírus novo que mostrava força, assistimos ao uso da pandemia como instrumento político e de divisão, principalmente no Brasil.

Foi um ano em que, apesar de tudo isso, vivemos uma série de dificuldades na gestão da crise, com discussões públicas, disputas e falta de diálogo entre os três poderes e nas três esferas. Nesta primeira reportagem da série: “A politização da pandemia”, vamos fazer um resumo dos embates que dominaram a cena política do país em 2020, com alguns ministros da Saúde no período e batalhas quase que diárias entre Executivo, Legislativo e Judiciário, além de suas consequências para a crise sanitária, e para isso convidamos o analista político, professor da Universidade Estadual de Londrina e comentarista da CBN, Elve Cenci.

Para o analista e professor, vivenciamos nos últimos doze meses uma política de negação e confronto, que já vinha desde antes mesmo da pandemia e se acirrou com a eleição de Bolsonaro e a pandemia, com as eleições dominando a cena, segundo Elve Cenci, apesar de estarmos a quase dois anos do pleito.

Para o professor e analista político, a negação da vacina foi mais um capítulo desse cenário de politização, dessa vez com o governador de São Paulo, João Dória, seu virtual adversário nas próximas eleições.

Elve Cenci diz ainda que, em função do tamanho da crise e da importância da economia para a definição do cenário eleitoral, Bolsonaro tenta se descolar, por exemplo, das medidas restritivas impostas por governadores e prefeitos e até da responsabilidade pelo ritmo lento da vacinação.

Além da postura de transferir responsabilidades, Cenci aponta ainda uma desqualificação dos outros poderes pelo presidente e diversas tentativas ao longo dos últimos doze meses de tensionar a relação com o STF e o Congresso.

Para o analista político da CBN Londrina, a aliança com o Centrão garantiu a Bolsonaro uma certa blindagem contra o impeachment, mas a conta deve chegar mais perto das eleições.

Elve Cenci avalia ainda que o presidente nunca desceu do palanque e que vai continuar assim, seja tirando possíveis adversários do caminho, negando a pandemia ou criticando governadores e prefeitos junto ao seu eleitorado e prevê um acirramento dos ânimos à medida que a eleição se aproxima.

No plano estadual, o analista de política da CBN Londrina avalia que o governador Ratinho Júnior adotou algumas medidas, mesmo que pontuais quando a situação da pandemia avançou no estado, mas se mostrou sempre um aliado do presidente e nunca buscou o confronto.

Sobre a política no âmbito municipal, Elve Cenci aponta uma mudança de postura do prefeito ao longo dos últimos doze meses. Para o analista de política da CBN Londrina, antes das eleições Belinati adotou um posicionamento mais incisivo e proativo, mas depois do pleito se mostrou mais tímido e menos enfático na tomada de decisões relativas ao controle da crise sanitária na cidade.

Por Marcos Garrido

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